Quem viveu nas décadas de 1980 e 1990 e teve, de alguma forma, sua rotina conectada às atividades praieiras, ainda fica surpreso. Andar da praia de Piedade ao final de Candeias e não ver ninguém dentro d’água causa estranhamento para quem cresceu observando o mar tomado por pranchas nos famosos picos do surfe da região.

Em 28 de junho de 1992, há 26 anos, aconteceu a primeira tragédia registrada em Piedade. Um banhista foi morto por um tubarão nas proximidades da igrejinha de Piedade. Dois anos após o incidente, uma dezena de banhistas e surfistas sofreram ataques. Com a proibição da pratica do surfe em 1995, os locais foram sendo esquecidos.

O PorAqui conversou com alguns surfistas para relembrar alguns dos principais picos de surfe em Piedade e Candeias.

1 – Os Abreus

15 minutos de braçadas no mar era basicamente o tempo necessário para chegar a um dos picos de surfe mais famosos de Piedade. Exatamente em frente ao Sesc, que divide a o território com o bairro de Candeias, era localizado ‘os Abreus’. O fundo de coral e as ondas à esquerda eram suas marcas registradas.

2- Hotelzinho

As ondas perfeitas dividiam-se no meio para direita e esquerda no beiral do Hotelzinho, na praia de Piedade. A localização ficava nas imediações do edf. Príncipe de Andorra, bem próximo aos Abreus. Mesmo com os ataques e proibições, os praticantes do surfe ainda entravam na água. “Os bombeiros corriam pra pegar a galera e tomar as pranchas. Todo mundo entrava ali e lavrava”, lembra o músico Allen Jerônimo.

3 – Igrejinha de Piedade

O surfe não era exatamente em frente à Igreja Nossa Senhora de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Segundo os surfistas, a localidade conhecida como Britânia, em referência a um edifício da região, era a área mais propensa para pegar tubos. Existem relatos de surfistas que, durante a prática, desciam as ondas com golfinhos.

4 – Danger

Em frente à antiga Candelária, no final de Candeias, o famoso e perigoso fundo de pedras, por conta das rochas pontiagudas, era um dos locais preferidos dos surfistas que gostavam de arriscar. Segundo relatos, era comum no inverno, as ondas chegarem a fabulosos 2,5 metros.