Entre os quase 700 mil moradores dos bairros de Jaboatão dos Guararapes, a hipótese mais aceita sobre a criação do nome da cidade é que ele deriva de um rio, intitulado yapoatam, mas afinal, mesmo com essa convenção local, de onde vem este nome?

O único fato unânime entre os historiadores é que a palavra descende do tupi, língua falada pelos povos que habitavam a maior parte do litoral do Brasil no século XVI. Para o escritor Van-Hoeven Ferreira Veloso, autor do livro “Jaboatão dos Meus Avós”, o topônimo é derivado do nheengatu, da família linguística do tupi-guarani. O significado “tronco, linheiro, reto”, é proveniente de uma árvore da qual eram fabricados mastros para embarcações.

Histórias da orla de Jaboatão dos Guararapes

QUELÔNIOS EM ABUNDÂNCIA

O pesquisador Orlando Breno de Araújo, na obra “Jaboatão, sua terra, sua gente”, contesta as informações. “Como uma árvore que ninguém conheceu, nem nunca ser identificada poderia dar nome ao rio e ao município?”. Para ele, a denominação vem de yaboaty-atam, espécie do quelônio cágado que habitava em grande quantidade às margens do rio.

O pesquisador baseia sua teoria no fato das Cartas Sesmarias, documento jurídico de Portugal que garantia direito de propriedade, citar em 1565, o rio Jaboatão com este nome. Entendeu assim, que, o nome teria sido dado primeiramente ao rio e posteriormente ao município.

Jaboatão Centro | Foto: Instituto Histórico de Jaboatão

OUTRAS HIPÓTESES

No livro “Jaboatão, histórias e lutas”, do historiador Adriano Marcena, ele cita outra possível origem baseada no escritor José de Almeida Maciel. “Seria yaupoatã, yaua ou iauá, que significa jaguar”. E poatã traduz como mão rija e firme. Trata-se de um fruto cheio de espinhos que os índios comparavam-no a uma mão áspera, como a mão de uma onça com as unhas estendidas”, consta.

Ainda nos textos de Marcena, outra suposição é que ya significa “o que tem”; po ou bo, fibra, madeira; e a’ntã, significa dura.

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E O OUTRO NOME?

Guararapes também vem do tupi guararape, que traduz-se como som, barulho. Ainda de acordo com Marcena, provavelmente os índios nomearam a região onde hoje é o Monte dos Guararapes, devido ao estrondo que a água fazia ao cair pelos buracos das pedras dos montes.

Referência: Jaboatão: Histórias e Lutas, de Adriano Marcena
Jaboatão dos Meus Avós”, de Van-Hoeven Ferreira Veloso