Os bairros de Piedade e Candeias, no Jaboatão dos Guararapes, eram locais repletos de clássicos e versáteis “picos de surfe”, como o Britânia, próximo à igrejinha de Piedade. Diziam os surfistas que era o melhor lugar para pegar tubos e, na descida, rotineiramente avistavam golfinhos acompanhando as ondas. Cenário perfeito para o desenvolvimento de uma geração inteira de atletas treinados no jardim de casa para serem campeões mundiais. Carlos Burle, Zé Radiola, Fábio Quencas, Eraldo Gueiros, entre tantos outros, se beneficiaram das condições perfeitas para a prática do esporte.

No início do mês, o jovem José Ernesto Ferreira da Silva, de apenas 18 anos, foi a 25º vítima fatal de 65 incidentes com tubarões desde 1992. Somente neste trecho da praia de Piedade, são 12 situações e, a segunda, este ano. Ao longo da faixa de areia que acompanha um resplandecente mar verde, não existe mais a prática do surfe. O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (Cemit) aprovou o estudo de viabilidade de controle maior ou restrição de trechos da orla do Recife e Jaboatão, em horários específicos.

O PorAqui conversou com o pesquisador e doutorando em ecologia marinha na Macquarie University, na Austrália, Yuri Niella, e preparou um infográfico para desvendar os mitos sobre os incidentes com tubarões no Recife e Região Metropolitana.