No meio da Rua Professor Francisco Pessoa de Melo, em Candeias, tem uma árvore. Um oitizeiro centenário, espécie típica da Mata Atlântica pernambucana, que divide a via, gerações e a opinião dos moradores.

Anterior às primeiras edificações do bairro, em gestões passadas da Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes, os moradores contam que foram realizadas tentativas de derrubá-la para asfaltar um dos trechos não pavimentados da rua, mas foram impedidos pela própria população.

“Moro na rua há 20 anos e lembro que ela sempre existiu. Antigamente os moradores da rua iluminavam ela na época de Natal”, recorda a arte-educadora e moradora Ariele Mendes. “Independente da possibilidade de asfaltar ou não, a árvore é um símbolo pra nós e ela não pode ser cortada”, completa a comerciante, Izabel Batista, residente da região também há mais de duas décadas.
Para outros moradores, a árvore é um empecilho. Reclamam que não é justo que essa única parte da rua continue sem asfalto por causa de uma árvore e que a poeira e a lama não compensam. “Os carros amanhecem todos sujos de poeira. No inverno, é um inferno pra sair mesmo dirigindo”, reclamou Fátima Brígida, enquanto o PorAqui fotografava a árvore.
Para Carlos Ludolf, engenheiro ambiental da Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura do Jaboatão, é essencial perceber que ela já faz parte da história do bairro e é adotada pela própria população. A preservação com pavimentação da rua não é descartada.
Além de símbolo natural, atualmente os próprios trabalhadores e moradores utilizam a imponente árvore que atinge a altura dos prédios como sombreiro e base de estacionamento.
“Lembro uma vez que um rapaz dirigia embriagado e bateu na árvore. Ali mesmo ele ficou dormindo. Quando o porteiro chegou pra trabalhar de manhã, foi ver o que tinha acontecido e ele acordou achando que a árvore era um tipo de miragem”, recorda a estudante de arquitetura Ana Paula Moraes.

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