Imagine viver em uma comunidade onde grande parte dos seus amigos de infância foram assassinados? O filme Ele era meu filho “é mais do que um documentário, é um direito de resposta” lançado pelo Coletivo Força Tururu para chamar atenção a uma realidade tão absurda e gritante que qualquer palavra mal escolhida aqui corre o risco de torná-la ainda mais banal.

“Muitos jovens são assassinados no Brasil, muitos deles viram estatísticas e, às vezes, a única versão que se tem de seus homicídios é o da mídia e da polícia”, explica André Fidelis, membro do Força Tururu, coletivo de comunicação criado em 2008 na comunidade do Tururu (Janga, Paulista-PE).

Mãe relata lado humano do filho. Reprodução/Youtube

Ele era meu filho conta o lado da história que as narrativas hegemônicas tanto ignoram. “O documentário estabelece a ponte do direito de resposta, de sabermos quem são esses jovens e suas histórias, informações que não saberíamos porque o jornalismo policialesco é seletivo”, esclarece André, que literalmente já perdeu as contas de quantos amigos foram assassinados.

Foto: Reprodução/Youtube

“Dizia pra mim que quando eu ficar velhinha, ele ia cuidar de mim”, conta Isabel Cristina, mãe de José Henrique, em trecho do filme. Ele era meu filho é sensível e urgente, um diálogo sincero e carinhoso com mães e pai que tiveram filhos assassinados e nunca tiveram a oportunidade de serem escutados.

A obra busca trazer humanidade para a história desses jovens que carregaram em vida, e também depois da morte, o peso do julgamento de uma parcela da sociedade que se mostra higienista, preconceituosa e racista.

Extermínio

Segundo a Anistia Internacional, movimento global em prol dos Direitos Humanos, dos 56 mil homicídios que ocorrem por ano no Brasil, mais da metade são entre os jovens. E dos que morrem, 77% são negros.

Segundo a carta Medidas para o enfrentamento ao extermínio da juventude negra em Pernambuco, assinada por 11 organizações, coletivos, fóruns e movimentos sociais pernambucanos, o Estado de Pernambuco aparece em  lugar como local de maior risco para jovens negros de 12 a 29 anos, em estudo divulgado pela Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), do Governo Federal.