É preciso arte para respirar, para poder ver e sentir o mundo de uma forma mais leve do que ele se apresenta no dia a dia. Em Jardim São Paulo, um morador faz da pintura sua válvula de escape para a realidade de estresse que muitos enfrentam nos dias de hoje. Adalcino Tavares, 56 anos, é, na verdade, analista de sistemas, mas nasceu com a arte entranhada em suas veias.

Desde criança, por volta dos sete, oito anos, descobriu que tinha um dom para o desenho. Enviava alguns para uma seção do Diario de Pernambuco, que os publicava. “Eu desenhava aqueles ônibus elétricos que tinha na cidade. Os passageiros na janelinha”, conta. “Muita gente não acreditava que eram desenhos feitos por uma criança”.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Adalcino também fazia arte na escola. “Quando tinha trabalho de colégio, eu era o cara que sempre fazia os cartazes, parte de apresentação”. Tomou gosto pela coisa e, de lá pra cá, procurou se aperfeiçoar. A curiosidade, leituras e workshops, e o contato com outros pintores foram os caminhos para desenvolver técnicas que o ajudam em seus trabalhos.

A primeira tela, uma paisagem campestre com um casebre ao fundo, tem guardada até hoje. Foi na adolescência, mas não lembra exatamente que idade tinha, o único registro no quadro é sua assinatura.

Primeira tela de Adalcino (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

“Eu devo ter entre 400 a 500 telas”, diz Adalcino, sem muita precisão de quantos quadros já pintou. Sua obra, que retrata paisagens e natureza morta, passeia por duas escolas: o hiper-realismo e o impressionismo.

Adalcino também já enveredou por outras searas das artes visuais: “já fiz talhas, também texturas para residências, restaurantes, motéis”, conta.

Boa parte dos trabalhos já foi vendido para outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Norte, Paraíba e Fortaleza. Também há telas sua sem outros países: Portugal e Itália.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Ele faz telas por encomenda e diz não ver diferença entre o que vende e o que faz por iniciativa própria. “Como pintar, pra mim, é um prazer, não vejo muita diferença. Eu fico feliz quando o cliente fica feliz, vejo que consegui atingir o resultado de algo que agradou a ele”.

As “ferramentas” de Adalcino (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Ele não vende seus quadros em galerias de arte, trata diretamente com o cliente. Os preços variam: telas de 60×90 cm custam em torno de R$ 600; já os trabalhos de 2×1 m custam de R$3 mil a R$ 5 mil. “Os valores dependem do tamanho e do trabalho desenvolvido”, explica Adalcino, que também facilita a compra, que pode ser parcelada.

Profissão x arte

Adalcino é um artista nato, mas o dever e o sustento o fizeram enveredar por outro caminho. Analista de Sistemas, é também formado em Relações Públicas, tem pós-graduação em Gestão Estratégica e Negócio, além de aprender outros idiomas.

“Nunca pude me dedicar por completo às artes”, revela. “As empresas sempre exigiram muito. É um ambiente de muita pressão”.

Adalcino em ação (Foto: acervo pessoal)

Mas Adalcino nunca deixou a arte – o dom sempre esteve caminhando ao seu lado. “Nunca deixei de pintar. Sempre, nos finais de semanas, pintava alguma coisa. Sempre tive cliente, encomendas”. A parada máxima que deu foi por um ano.

“Pintura sempre foi minha atividade paralela, meu cano de escape, meu refúgio”, conta ele, ressaltando que sempre evitou pintar quando o trabalho o atordoava muito. “Se eu for pintar sob estresse, a tela não flui, eu transfiro aquilo pra pintura. Perde a beleza”.

Mas, antes de tudo, o prazer de criar é presente nele. “A arte me deixa mais feliz, espiritualmente mais tranquilo, mais calmo. Quando eu tô pintando, me transporto para dentro dela e fico lá, é quando eu fico quieto”.

Gostou do trabalho? As obras de Adalcino podem ser encomendadas através do telefone (81) 9.9646.8481. 🙂