Os altos índices de criminalidade no Recife têm assustado a população, que se tornou refém do medo. Em San Martin, na Zona Oeste da cidade, os relatos de assaltos são constantes. Seja na parada de ônibus ou no caminho para casa, o estado de alerta é constante.

De acordo com dados levantados pela Gerência de Análise Criminal e Estatística (GACE), órgão da Secretaria de Defesa Social (SDS), San Martin é um dos “pontos quentes” do Recife, ou seja, lugares com alto índice de violência.

Para coibir as ocorrências e diminuir esse índice nada louvável, a Polícia Militar de Pernambuco (PM-PE) deu início, desde abril, à Operação Integração. A ação é coordenada pela Diretoria Integrada Metropolitana (DIM) e, em San Martin, é operacionalizada pelo 12º Batalhão da Polícia Militar, que cobre a área.

Segundo o assessor de imprensa da PM-PE, major Britto, a Operação consiste num reforço de contingente em áreas apontadas pela GACE como mais perigosas. “Coloca-se um aparato de 20 PMs, distribuídos em viaturas do GATI, viaturas de contrarresposta, Patrulha do Bairro, motociclistas e oficiais a pé”.

Ruas de San Martin sinalizada como “áreas de assalto” chamam a atenção (Foto: Cora Viterbo/colaboração)

Segundo o major, os policiais atuam na “abordagem a pessoas, veículos e bares onde se observam grandes índices de brigas, tiroteios”. O reforço de policiamento se dá no horário das 20h às 2h.

Indicadores de violência

A PM-PE trabalha com dois indicadores de criminalidade: o CVLI – Crimes Violentos Letais Intencionais (homicídio doloso, roubo seguido de morte e lesão corporal seguida de morte) e CVP – Crimes Violentos contra o Patrimônio (crimes de roubo a transeuntes, veículos, bancos, residências, etc).

No caso de San Martin, segundo major Britto, os dois indicadores se encontravam altos, o que justifica a operação ainda em vigor na área. “O comando do Batalhão, de posse dos dados estatísticos da GCE, aciona a Operação Integração. Ela atua é atuante em áreas pré analisadas”.

O major ressalta que a Operação, em vigor desde abril, já tem mostrado resultados.

“Com a intensificação da PM nessas áreas, temos como primeira resposta: não houve homicídio em San Martin nesse período de abril a junho”.

Com um foco na criminalidade de alta periculosidade, que incide, especialmente, nos números de CVLIs, uma pergunta vêm à tona: e os roubos e assaltos, maior queixa dos moradores de San Martin?

Major Britto destaca que os números de CVPs apresentaram queda este ano. De janeiro a junho de 2016, 322 ocorrências de CVP foram registradas. No mesmo período, em 2017, esse número caiu para 299. Uma discreta queda de 7,14%.

Quando comparados os números no período entre abril (mês em que, neste ano, se iniciou a Operação Integração) a junho, a queda no número de CVPs é maior. Em 2016, foram 208 ocorrências. Já em 2017, foram 143. O que mostra que houve, então uma redução de 31,52%.

“Nós vamos manter a Operação em San Martin, porque os números mostram que ela está tendo resultados e reduzindo o índice de CVPs na área”, assegura major Britto.

No entanto, as pessoas ainda não se sentem seguras no bairro. “A população vai começar a sentir isso com um tempo maior, pois a Operação começou em abril, ainda é pouco o tempo”, responde Britto.

Porém, o major destaca um fator importante para que operações do tipo sejam implementadas e surtam efeito. “A população ainda não tem o hábito de prestar a queixa, formalizar o Boletim de Ocorrência”.

“É importante que a população faça o BO, seja comparecendo à delegacia ou por telefone. Pois, só assim, a PM terá dados instrumentos suficientes para estudar as melhores formas de agir em determinados locais, monitorar as ações e alcançar os resultados”, conclui.