Tarde de sexta-feira na escola é sempre aquela olhada constante no relógio, esperando a hora de largar. Mas hoje (17), na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Trajano de Mendonça, em Jardim São Paulo, Zona Oeste do Recife, esta tarde foi de muito trabalho. Mas, um trabalho bem divertido, diga-se de passagem.

Um bazar solidário foi realizado pelas 14 turmas do Ensino Médio da Escola, mobilizando cerca de 600 alunos. À venda, roupas, calçados, acessórios e uma série de produtos, novos e seminovos, por preços super em conta: de R$ 1 a R$ 15. Todos os produtos foram conseguidos pelos próprios alunos, com doações de familiares e vizinhos.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

E o bazar foi para uma boa causa: toda a renda arrecadada com as vendas será revertida para a compra de brinquedos que serão distribuídos para crianças carentes no Natal.

A iniciativa é uma das tantas realizadas ao longo do ano no Trajano de Mendonça, que, em matéria divulgada nesta sexta (17), foi listada entre as 10 escolas mais procuradas da rede estadual de ensino.

O bazar também é resultado disso e une a prática pedagógica e o despertar para questões sociais. “Primeiro, o envolvimento dos alunos com essa questão de cidadania, um trabalho voluntário por parte deles. Depois, algo que beneficia a comunidade, que pode adquirir produtos por preços baixos. E, por fim, esse bem que será feito para as crianças carentes”, diz Sandra Mendes, supervisora do Trajano de Mendonça.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Segundo ela, a ideia de realizar o bazar surgiu dos próprios alunos. Mas contou com uma orientação muito importante: a professora Amélia Moraes, que leciona a disciplina de Empreendedorismo.

Sob o tema “Solidariedade”, ela abordou algo ainda pouco conhecido: o empreendedorismo social. “É diferente do empreendedorismo conhecido. No social, você empreende, tem um lucro próprio menor, mas outra parte desse lucro tem como destino ajudar as outras pessoas”, explica Amélia.

O aprendizado em sala de aula somado ao espírito solidário dos alunos resultou num grande bazar. O envolvimento e o entusiasmo era evidente em cada um deles. Muitos, por sinal, já possuíam o traquejo nas vendas, barganhando preços e conquistando os clientes na base da simpatia.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Vinicius Bergson, de 15 anos, aluno do 2º ano, é um dos que mais se envolvem nas atividades do colégio. “Eu gosto muito de ajudar, eu sempre estou procurando alguma coisa para participar e ajudar, me envolvo muito nas atividades da escola”, diz. “E uma coisa importante é que hoje eu estou no 2º ano, e virão alunos mais novos do que eu… o que eu aprendo com isso aqui eu quero passar para os que vierem depois”.

“Aqui, nós somos uma família. Até as turmas que não se batem muito, em momentos como esses, estão unidas”, diz Lara Mariana, 17 anos, do 3º ano. “É muito gratificante para mim participar de coisas assim, de envolver a sociedade dentro da escola e poder ajudar, depois, as crianças com afeto e com esses brinquedos que vamos doar”.

A saber: este que vos escreve não saiu do bazar de mãos vazias. Garantiu duas camisas e um par de óculos escuros. ?