Andar pelas ruas de San Martin, na Zona Oeste do Recife, é ter de redobrar a atenção a cada esquina. A insegurança no bairro é reflexo do que vem acontecendo em toda a cidade. Moradores têm sempre algo pra contar de alguma situação do tipo.

“Se você chegar aqui em San Martin, vai escutar 10 histórias de assalto ou até mais”, diz João Paulo Galdino, 34 anos, analista de suporte.

Pelo menos seis delas são da designer de moda Cora Viterbo, 26 anos. “Entre assaltos e tentativas, já foram seis vezes em San Martin”. A foto desta matéria foi publicada por ela no Instagram.

Uma das vezes, ela e a prima foram abordadas, na frente da sua casa, por jovens que vinham em uma carroça. Um deles portava uma faca. Levaram uma pulseira de Cora e o celular da prima. “Teve também na esquina da foto, eu e a moça que trabalha com a gente”, conta. “O cara chegou todo agressivo e com a mão embaixo da blusa como se tivesse uma arma”.

O medo acabou desenvolvendo nela Síndrome do Pânico. A família se mudou por um tempo para Apipucos, na Zona Norte. Hoje recuperada, Cora voltou a morar em San Martin, com os pais e o irmão. Mas o cuidado continua:

“Quando é pra sair aqui por perto, eu não levo celular e ando com uma roupa mais jogada. Muitas vezes, evitamos vir por algumas ruas, dependendo da hora”.

Outra vítima da insegurança foi o estudante Iury Moraes, 26 anos. Já foi assaltado duas vezes no bairro. A mais recente, no ano passado, foi na volta da faculdade, à noite. “Eles iam mais à frente, olharam pra trás e me viram. Aí, voltaram na minha direção”, conta. Os assaltantes levaram o celular do estudante.

O local do assalto foi na Rua Cônsul Vilares Fragoso, ao lado da Cavalaria. “Essa rua já é conhecida aqui pela grande quantidade de assaltos”, afirma. “Sair à noite por essa rua é pedir pra ser assaltado. Até o pessoal da Cavalaria já foi assaltado por ali”.

“É a esquina do assalto”, diz João Paulo Galdino, que mora na Rua Telesphoro Fragoso. “Fui chegando em casa, três adolescentes – dois deles, armados – me abordaram, com arma em punho, me rendendo. Levaram meu carro pra assaltar uma loja”, conta sua experiência, informando que o veículo foi recuperado depois.

A Praça da Cavalaria, em San Martin, é ponto certo de assaltos à noite (Foto: Street View)

O músico Júlio Ferraz, 29 anos, sofreu uma tentativa de assalto, há quase um ano, na Praça da Cavalaria. “Era por volta das 20h, eu esperava um amigo. Quando vi a sombra da pessoa, com uma faca na mão”, lembra. Júlio reagiu, derrubou o assaltante no chão, mas saiu ferido em uma das mãos, com um corte da faca.

Sobre a atuação da polícia no local, ele diz. “Eu até vejo policiamento por aqui, mas também vejo muita gente contando que foi assaltada. Então, acho que esse policiamento tem que ser repensado”, diz Júlio.

Policiamento

Em nota, a Polícia Militar de Pernambuco informou que “o policiamento no bairro de San Martin é realizado pelo 12º BPM através da Patrulha do Bairro lançada diuturnamente. Além do apoio de motopatrulheiros e do recobrimento com o Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati). Diariamente, está sendo realizada na região a operação Impacto Integrado em San Martin, Afogados e Mustardinha”.