Sebastião Lourenço – ou apenas Lourenço, como prefere ser chamado – é um apaixonado. Tem um entusiasmo fora do comum pela eletrotécnica, ofício que o levou a morar em São Paulo, na Bahia e até em Angola. Mas o que chama mesmo atenção é a sua paixão por fuscas. Tudo bem até aí, se seus dois possantes não fossem um “Herbie”.

O famoso personagem da série de filmes Se meu fusca falasse, dos estúdios Disney, é inspiração pros dois carros que, vez por outra, dão um passeio por Jardim São Paulo, com o inconfundível “53” cravado em seus capôs e portas. “Eu gostava muito do filme. Fiquei apaixonado quando assisti pela primeira vez, por volta dos meus 15 anos”, conta.

Durante as viagens que fez ao longo da vida – quando participou de diversas obras, como do Shopping Center Paulista, do Complexo de Sauípe, que tem o maior orgulho de contar – Lourenço adquiriu seu primeiro fusca, em 1988, em Osasco (SP). Já tinha vontade de deixá-lo igualzinho ao Herbie original. Mas Eliane, sua esposa, não deixava.

Lourenço e um de seus “Herbies” (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

O desejo de ter o seu próprio “fusca falante” seguiu por anos, até que Lourenço comprou um outro, em 1997, somente para poder pintá-lo. Com o seu Herbie, à época, viajava – praticamente todas as semanas – da Bahia para Pernambuco.

Algum tempo depois, sua esposa não tinha mais interesse em usar o primeiro fusca. Lourenço, então, não perdeu tempo: adesivou o carro por completo. Nascia mais um Herbie na família.

Lourenço chegou a ter mais dois outros fuscas. Um deles trazia o número “54”. “Tinha que ter a sequência, né?”, destaca. O outro era preto, com listras brancas. Mas só os dois Herbies permaneceram com ele até hoje. Um deles, é usado por um dos filhos, Leo.

Apesar dos quase 50 anos de fabricação, o possante continua funcionando bem (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

De lá pra cá, os dois fuscas se tornaram o xodó de Lourenço, que tem, ainda, dois Gols na garagem de casa. “Mas eu prefiro sair com o fusca mesmo, porque ninguém vai querer roubar”.

Como não poderia deixar de ser, o fusca de Lourenço também fala. A buzina do carro é equipada com um sistema que reproduz frases (“Muito obrigado, mano!”), assovios, sons de animais (cavalo, boi, etc).

Os fuscas são um sucesso por onde passam. Lourenço tem guardadas, hoje, mais de 50 fotos que pessoas pediram para tirar com os carros. Isso sem contar as tantas outras tiradas por aí e que ele não guardou.

“Adoro fusca”. Lourenço já chegou a ter quatro deles. (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Em 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, um deles se tornou, temporariamente, um “Fuleco” (mascote oficial do campeonato). Ganhou pintura toda personalizada, o que rendeu ainda mais “fãs”.

Lourenço conta que, em todos esses anos, só uma única vez um dos fuscas quebrou. No mais, apenas as manutenções normais de qualquer carro. “Eu gosto, por ano, com ele, uns R$ 350 reais. Umas dez vezes menos do que gasto com um Gol desse que tenho”, afirma.

Não precisa nem dizer qual a resposta dele para quem se oferecer para comprar os fuscas.

De pai para filho
A paixão por fuscas parece ser hereditária. Leo Moraes, filho de Lourenço, foi quem herdou do pai o gosto pelo fusca 53. A poucos metros da casa onde moram, montou um estúdio fotográfico com decoração toda inspirada no fusca falante.

Um pedacinho do Foto Estúdio 53, de Leo, filho de Lourenço (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Fachada, carpetes, relógio de parede, porta do banheiro… tudo no Foto Estúdio 53 – que exista há quatro anos – lembra o Herbie.  A empresa produz materiais fotográficos para formaturas, festas de debutantes, casamentos, etc. “Tem gente que gosta de tirar foto com o fusca também. Principalmente casamentos”, conta Lourenço.