O bairro de Ouro Preto (Olinda) servirá de esboço para o projeto Guia Afetivo dos Quintais de Olinda, iniciativa de André Moraes (Microsítio) e das mineiras Rafaela Perret e Ricelle Alonso (Planta). A ideia é provocar vivências nos quintais olindenses a fim de impulsionar as micropoéticas de bairro, criando um inventário gráfico e afetivo sobre o cotidiano dos lugares.

A edição-teste surgiu a partir de um convite do EREA – Recife (X Encontro Regional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo), que instigou André a propor uma vivência. “Esse projeto inscrevi no Funcultura e não foi aprovado, quando surgiu o convite vi a oportunidade de experimentar uma versão piloto de um dia”, explica.

O projeto será realizado no ateliê A CAVERNA, em Ouro Preto/Olinda. Foto: Reprodução/Facebook.

A partir de uma chamada pública aberta na internet e contando com a presença de 25 estudantes que estão participando do encontro de arquitetura, além da vizinhança do entorno, o Guia Afetivo dos Quintais de Olinda será realizado nesta terça-feira (23), a partir das 15h, no A CAVERNA, casa-ateliê localizada no bairro de Outro Preto.

O convite é simples. Os interessados só precisam levar canetas, aquarelas e papéis para participar de um processo coletivo de exploração urbana com a vizinhança. A proposta visa dar início à criação de uma cartografia afetiva dos quintais de Olinda. O resultado do trabalho será exposto no mesmo local onde serão realizadas as atividades.

O potencial político do “bom dia”

André Moraes enxerga caminhos a partir das relações de vizinhança. Foto: Reprodução

Arquiteto e urbanista de formação e artista de alma, foi na busca pelo fazer coletivo nos espaços públicos das cidades que André Moraes percebeu a importância de nos fortalecermos primeiramente em uma escala micro.

Imerso em um processo de reclusão agravado por uma “crise” financeira, André encontrou a saída na microeconomia. “Cai do pé de cajá daqui do quintal cajá suficiente pra meus sucos. Sobra um pouco que oferecemos para as visitas. Que tal compartilharmos com o vizinho um pouco. Assim posso comer um milho que tem no vizinho”.

Provavelmente se despedindo de Olinda após o carnaval, o artista vislumbra colher bons frutos da experiência. “Essa característica tão apaixonante de trocar ‘bom dia’ com vizinhos, de acompanhar as movimentações da vizinhança, me fez pensar no potencial que são essas relações. E daí tem muito pano pra manga, pra banana, pra acerolas, pra doces e cafés coados.”

Guia Afetivo dos Quintais de Olinda
terça, 23 de janeiro de 2017
15h
Rua Ouriço do Mar, Ouro Preto, Olinda/PE
Acesso gratuito
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