Graças ao contato com Admilson Freitas, o DJ Mituca Som (67), tive a oportunidade de  conhecer de perto a comunidade V8, localizada no Varadouro, em Olinda. Alardeada como território perigoso por conta de um histórico de violência, alguns moradores sinalizam que o buraco é mais embaixo.

“Você pode entrar e sair com tranquilidade, a não ser que lhe confundam com um policial”, revela um morador que fez o favor de me guiar pelas ruas enquanto apontava para o descaso do poder público.

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“Pode entrar, Édipo”, disse Mituca sorrindo. Sala de estar, sofá, bolo de vó, coca-cola e muito papo. “Eu gosto mesmo é de música cubana”, diz. Cúmbia, guaracha e merengue são as verdadeiras paixões do pesquisador musical que aos 15 anos já descolava uma grana botando som em gafieiras.

Moradores da V8 não se identificam com a fama de comunidade violenta. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

O nome é inspirado em um ex-jogador do Santa Cruz. “Meu pai era Náutico e me levou para um jogo contra o Santa. Eu só queria saber do tricolor, no radinho o locutor só falava em Mituca”. Assim, saiu do estádio com um time do coração e um apelido pro resto da vida.

Vida que se confunde com a trajetória das mídias musicais. “Comprávamos vinil da gravadora Chantecler, eles chegavam sem cobrança de impostos”, relembra. Assim, conheceu várias pérolas que até hoje admira. “La Sonora Matancera, Lucho Macedo, Los Corraleros, Gabriel Romero, Los Dinámicos“, enumera.

O DJ abriu as portas de casa. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

Com a chegada do CD, Mituca se desfez de uma vasta coleção de vinis, contabilizando por volta de 14 mil títulos. “Enchi duas caminhonetas de disco e doei para as crianças fazerem arte, pintar em cima”, conta sem arrependimento.

O prazer do DJ é levar som para as ruas de Olinda. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui
Mituca possui um acervo de 2 mil discos. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

Da gafieira para as ruas

Aposentado do INSS, hoje o DJ Mituca Som dá um rolé toda semana montado em uma moto para vender discos piratas e compor a paisagem sonora de Olinda. O retorno financeiro é secundário. “Tem dia que só dá 10 reais. Eu faço isso porque gosto da música”.

Hoje o acervo de do DJ contabiliza por volta de 2 mil discos, mas ele já avisa que não vai repor. “Quando vender todos, não compro mais, já  tá na hora de investir no mercado de pen drive”, sinaliza.

Casado com a simpática Dona Ubiara, pai de 13 filhos (dois casamentos) e avô de 56 netos, Mituca se diz uma pessoa muito respeitada pela vizinhança do entorno. “Eu me preocupo com a minha imagem, quando eu passar  na rua quero ver meus netos apontando para mim com orgulho”, diz.

Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

DJ Mituca Som
?(81) 98719-7372 (para festas e eventos)

Matéria publicada no dia 09/01/2018 e atualizada em 27/08/2018