Convocado pela Sodeca, o ato que clamou pelo fim dos assaltos, furtos e a violência que culminou na morte da arquiteta Maria Alice Soares (74), a “Baixinha”, aconteceu sábado passado (17), em Olinda. Na ocasião, moradores lançaram um abaixo assinado que segue colhendo assinaturas a serem encaminhadas para a Secretaria de Defesa Social (SDS). ? Assine aqui.

O abaixo-assinado tem como objetivo pressionar o Governo de Estado a tomar “todas as medidas cabíveis com celeridade, para a elucidar o caso da morte de Maria Alice”. Além disso, exige que a Polícia Militar de PernambucoCIATur promovam “policiamento preventivo adequado para as áreas de vulnerabilidade do Sítio histórico de Olinda como becos, vielas e servidões”.

Segundo organizadores, manifestação reuniu cerca de 300 pessoas nas ladeiras da Cidade Alta. Foto: Luiza Rovaris

Com a hashtag #BaixinhaPresente, cerca de 300 pessoas se uniram e fizeram um cortejo pelas ladeiras da Cidade Alta em homenagem à fundadora do Eu Acho é Pouco e reivindicando justiça tanto para o caso em particular, como também para os mais diversos casos de violência que estamos vivenciando no estado de Pernambuco. Principalmente quando o alvo são as mulheres.

A marcha saiu dos Quatro Cantos e seguiu em direção à 13 de Maio, rua onde fica localizada a casa onde “Baixinha” morava e foi assassinada. Após realizadas as devidas homenagens, o cortejo seguiu até a rua 27 de Janeiro e depois rua de São Pedro.

Protesto: Olindenses penduram faixas pretas nas casas e organizam ato

A manifestação voltou aos Quatro Cantos e encerrou as atividades do dia com a fala de alguns participantes. Como por exemplo, os integrantes do Eu Acho é Pouco, Ivaldevan Calheiros e Vera Milet, além de Alexandre Melo, representante da Sodeca, e a moradora Eugênia Lima, que ficou responsável pela fala de encerramento.

Feminicídio

Maria Alice veio morar em Olinda na década de 1970.

O assassinato da alagoana radicada em Olinda, Maria Alice, reflete as estatísticas relatadas na campanha Relógios da Violência do Instituto Maria da Penha. Segundo levantamento, a cada 2 segundos uma mulher é vítima de violência física ou verbal no país. A violência doméstica e familiar já é crime desde o dia 7 de agosto de 2006, após aprovação da Lei N. 11.340, denominada Lei Maria da Penha.

“Sua morte não deve ser mais um número e não podemos aceitar o estado de sítio em que vivemos, muito menos aceitar a violência banal e gratuita diária que sua morte representa. Seja mulher, seja negra, seja gay, seja ativista ou política, basta de mortes, basta de violência!”, diz nota publicada pela Sodeca nas redes sociais após o protesto.

ONG Meu Recife marcou presença na manifestação. Foto: Divulgação/Instagram

O protesto também foi acompanhado pela equipe da Rede Meu Recife, ONG que incita cidadãos a se engajarem politicamente. “Por que será que Olinda só fica em paz quando chega turista no carnaval? Mais uma mulher com a vida ceifada. Nem dentro de casa as pessoas tem um território seguro. Até quando?”, provoca nota da organização divulgada nas redes sociais.

Violência: moradores da Cidade Alta repercutem morte de arquiteta em Olinda

Entenda o caso

Maria Alice, a “Baixinha”, foi encontrada no quintal de casa, localizada na rua 13 de Maio, em Olinda, com ferimentos na cabeça. Próximo ao corpo estava um jarro de plantas quebrado, o que foi apontado pela investigação policial como um possível artefato para a consumação do crime.

Segundo o delegado Ricardo Silveira, o homicídio foi cometido por pessoas não habituadas a praticar crimes. A teoria é sustentada pelo fato de não haver sinais de arrombamento da casa, muito menos uso de armas de fogo. De acordo com registros da Polícia Civil, a fundadora do Eu Acho é Pouco já havia feito um B.O se queixando de furto em sua residência.

O momento é de investigação e a polícia iniciou a intimação de pessoas que faziam parte do cotidiano da vítima para deporem sobre o caso. A suspeita é de latrocínio.

✍ Participe do abaixo-assinado