A simbiose do Boi da Macuca com a cidade de Olinda é antiga e vem desde o ano de 1989, quando, pela primeira vez, o fundador e capitão Zé da Macuca trouxe para as bandas de cá a tradição do forró de Correntes, município do Agreste de Pernambuco onde fica localizado o sítio da Macuca,  palco de um São João que já faz parte da agenda cultural do Estado.

Por muito tempo, em Olinda, os cortejos do boi foram unicamente pautados a partir da estética do forró tradicional, tendo até hoje Benedito da Macuca, morador raiz da Rua do Amparo, como o sanfoneiro oficial da festa. Todavia, como em Olinda a criatividade é como quem vai ali e já volta, a partir do Carnaval de 2015, as rotas do boi tiveram que ser recalculadas a passos de frevo.

Pra entender melhor essa trajetória, o PorAqui conversou com Rudá Rocha, um dos diretores da entidade, que também é filho do capitão Zé da Macuca. Confira a entrevista!

PorAqui: A partir de qual momento o Boi da Macuca começou a fazer parte da história de Olinda?

Rudá Rocha: Na verdade, eu sempre fui carnavalesco de Olinda, o meu pai já trazia o Boi da Macuca para cá desde o ano de 1989 com uma proposta de forró tradicional, aquela história de triângulo, zabumba, sanfona, pífano. E isso passou a fazer parte do cotidiano da cidade com os cortejos do boi pelas ladeiras.

PorAqui: Você poderia nos contar quando começou o flerte do forró com o frevo na trajetória da Macuca? 

Rudá Rocha: Tudo começou em 2015, nesse ano eu passei o Carnaval com o pé engessado e com dificuldade de brincar no chão, na rua.

Daí, na terça-feira de carnaval, meu pai veio me visitar e após algumas conversas observando o Carnaval pela janela da minha casa na Rua do Amparo, tivemos a ideia de convidar uma orquestra de frevo para conduzir os cortejos do Boi da Macuca tocando o repertório que já existia, como, por exemplo, algumas canções de Luiz Gonzaga e Dominguinhos.

Então, antes mesmo do que viria a ser o Carnaval de 2016, fizemos uma prévia de São João nas ladeiras de Olinda já com essa ideia e tivemos pela primeira vez um cortejo junino com a presença do Maestro Oséas.

Pai e filho: Zé da Macuca (esq.) e Rudá Rocha (dir.) | Fotos: Máquina 3

PorAqui: Explique por que a escolha pelo Maestro Oséas?

Rudá Rocha: Eu já era fã da orquestra do Maestro Oséas e, quando pensamos nesse formato de frevo tocando em um cortejo do Boi da Macuca, eu pensei logo, “se for pra rolar mesmo tem que ser com a orquestra de Oséas e pronto!”.

Toda a concentração dos cortejos são feitos com o forró de sanfona até hoje, com Benedito da Macuca, mas quando vamos pra rua é a orquestra que conduz, até pela quantidade de gente que junta hoje.

A festa de São João na fazenda é também conduzida pela orquestra de frevo, o cortejo sai passeando pelo meio do mato.

PorAqui: A Macuca é um núcleo que hoje abarca várias iniciativas culturais, você poderia dizer quem faz parte da equipe?

Rudá Rocha: Meu pai, Zé da Macuca, é o fundador, dono, diretor de tudo. Tudo é ele. Mas quem efetivamente coloca a mão na massa hoje em dia sou eu, Cris Lira e Joana Pena (diretoria); Cléa Maria, Sheyla Lima e Alda Medeiros (colaboradoras); Benedito da Macuca e Maestro Oséas (músicos); Emerson e Didi (porta-estandartes); e Kelvin e Suellen (fotografia).

Mas apesar de não estar no cotidiano de produção, meu pai está sempre ciente de tudo, ele sempre é consultado. A decisão final é dele (risos).

Benedito da Macuca | Fotos: Máquina 3

PorAqui: Está pra acontecer pela terceira vez a prévia de carnaval Baile da Macuca, no Clube Atlântico em Olinda. O que vocês estão preparando para esse dia?

Rudá Rocha: Esse ano é a primeira vez que vamos colocar a orquestra de frevo como atração de palco, coisa que não é muito comum em bailes do tipo.

Além do repertório que a orquestra já faz do forró tocado como frevo, este ano teremos uma novidade, estamos incluindo músicas dos repertórios das bandas dos amigos aqui de Olinda.

Por exemplo, Academia da Berlinda com o “Melô do Meninão”; Banda Eddie com “Não vou embora”, Orquestra Contemporânea de Olinda com “Canto da Sereia” e Otto com “Ciranda de Maluco”.

Os arranjos das músicas são produzidos pelo músico Henrique Albino (expoente da música instrumental pernambucana) e, após finalizadas as partituras, elas são encaminhadas impressas ao Maestro Oséas.

Orquestra do Maestro Oséas: das ruas para o palco | Fotos: Máquina 3

Macuca é cultura

O Sítio da Macuca é reconhecido oficialmente pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura e atualmente promove folguedo popular através do Boi da Macuca, além de sediar eventos como o Macuca do Mundo (festival de arte livre), o Macuca Brinquedos Populares (festival de cultura tradicional) e o São João da Macuca.

Fora dos limites do Sítio, são produzidos o Arraial da Macuca em Olinda (prévia de São João) e o Baile da Macuca em Olinda (prévia de carnaval). Recentemente ganhou o Prêmio Culturas Populares 2017, edição Leandro Gomes de Barros, do Ministério da Cultura.