Todos os dias descortino as janelas do jardim e me vem a sensação de que moro mesmo em um sítio. De tão bucólicos, alguns lugares nas sete colinas me fazem esquecer que a poucos metros de distância daqui existe uma cidade lá fora que “progride” no sufoco e na pressa.

Morar na Cidade Alta é aprender que todo mato tem nome e que o meu espaço não é compartilhado apenas com indivíduos que andam sobre duas pernas ou com os domesticados de quatro patas. Existem também os entes vertebrados e invertebrados, de tonalidades variadas, que pulam, rastejam, alçam vôos rasantes e emitem sons muitas vezes desconhecidos por nós.

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O Sítio Histórico de Olinda é conhecido pelas grandes massas verdes. Foto: Passarinho/Pref.Olinda

Para além do clichê ladeira, igreja e frevo, viver no Sítio Histórico de Olinda é também desenvolver empatia com alguns animais da fauna silvestre que, volta e meia, nos fazem visita. Como por exemplo, o timbu.

Com a intenção de livrar um pouco a barra desse marsupial primo do canguru, resolvi escrever essas cordiais linhas para que saibamos cuidar com respeito deste vizinho ao invés de apenas convidá-lo para uma cachaça. Assim, troquei uma ideia com Leonardo Melo, biólogo da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que esclareceu algumas dúvidas sobre a espécie.

Animal pacífico

Segundo o pesquisador, o timbu é um comedor de frutas e néctar, que sempre circula no alto das árvores e raramente desce, “Quando você vê um timbu no chão é porque ele está fazendo a travessia de uma árvore para a outra, e nesse trajeto ele pode errar o caminho e entrar nas casas”, explica Leonardo.  

Alguns moradores se sentem ameaçados com a presença do animal e, por falta de conhecimento, tendem a tratá-lo com violência, “O timbu é um animal super pacífico que só morde como estratégia de autoproteção. Ele não invade casas, nem ataca ninguém. Nós que somos os invasores”, contextualiza.

Entender que o animal se encontra em uma situação de alta vulnerabilidade é fundamental, “É um bicho que está sujeito a qualquer tipo de sorte que a cidade oferece. A recomendação é que se ele tiver perto de um ambiente natural, a pessoa deixe ele ir em paz”, revela o pesquisador que – a depender da complexidade da situação –  sugere entrarmos em contato com alguns órgãos responsáveis pelo resgate seguro do animal.

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[Matéria publicada no dia 01/10/2017 e atualizada em 20/08/2018]