Ele veio de longe, lá da báltica Letônia, para virar referência em Pernambuco. Aos 24 anos, o fotógrafo Alexandre Guilherme Behrsing (1903-1979), aqui conhecido como Alexandre Berzin, desembarcou primeiramente em Belém do Pará no ano de 1927, com a missão de trabalhar no estúdio fotográfico do italiano Fillippo Fidanza.

Após um ano decidiu vir para Recife com a ideia de abrir um estúdio próprio, o que terminou por acontecer na Rua da Imperatriz, 246, Bairro da Boa Vista, com o nome de Foto AB (iniciais do seu nome). 

Segundo a pesquisa O Obscuro Fichário dos Artistas Mundanos, o estabelecimento do “retratista” gozava de um excelente estoque de material fotográfico e virou referência tanto para locais quanto para visitantes estrangeiros.

Praça da Abolição no Carmo (Olinda-PE). Década de 1940. Foto: Alexandre Berzin
Mosteiro de São Bento (Olinda-PE) na década de 1940. Foto: Alexandre Berzin
Vista dos Quatro Cantos (Olinda-PE). Foto: Alexandre Berzin

Comparado ao contemporâneo Pierre Verge pela vasta investigação cultural e antropológica, o fotógrafo Alexandre Berzin dizia procurar “a beleza em toda a parte” e recomendava que os fotógrafos “andassem com os olhos abertos”, para evitar que fossem escravos do condicionamento dos próprios olhares.

Tamanha sensibilidade refletiu em um olhar generoso também para a cidade de Olinda, com registros raros das praias, ladeiras, casas históricas, sobrados, igrejas, e o cotidiano dos pescadores e dos cidadãos olindenses que aqui viviam no século passado.

Casa de pescadores em Casa Caiada (Olinda-PE). Foto: Alexandre Berzin
Praia de Rio Doce (Olinda-PE) na década de 1940. Foto: Alexandre Berzin
Pescadores tecendo rede de pesca na Praia de Bairro Novo. Foto: Alexandre Berzin

Segundo escritos, tal olhar era fruto de uma personalidade humana, generosa e lírica, ao ponto de ser conhecido por um dos seus alunos como “o profissional mais amador da fotografia no Recife”.

Assim, é reconhecido como um dos fotógrafos que ajudaram a mudar o olhar sobre o Recife, ao lado de outros profissionais como Rebelo, Oscar Maia, Lula Cardoso, Ulisses Freire, Benício Whatley Dias e Jujú.

Trabalhadores andando no antigo Caminho de Rio Doce, hoje Av. Gov. Carlos de Lima Cavalcanti. Foto: Alexandre Berzin
Vista do Largo da Sé (Olinda-PE). Foto: Alexandre Berzin
Farol de Olinda. Foto: Alexandre Berzin

Além de fotógrafo, um catalisador

Surgido no dia 30 de setembro de 1949, o Foto-Cine Clube do Recife teve Alexandre Berzin como o principal articulador. Muito comum em movimentações mais contemporâneas, a ideia de um coletivo de fotógrafos amadores no meio do século XX era um fenômeno novo por aqui.

Formado em sua maioria por funcionários públicos e profissionais liberais, os membros se reuniam para produzir obras que tinham como uma das principais marcas o registro do cotidiano das cidades. Atualmente, o acervo oficial é guardado na Fundação Joaquim Nabuco.