Somos aquilo que fazemos. A nossa mente pode até elucubrar sobre diversas situações e possibilidades, mas no frigir dos ovos, a prática é o que nos dá forma. Assim, o hábito do fazer, seja ele qual for, é o que molda nossas qualidades. O alquimista da cozinha, Ricardo Resende, é um exemplo vivo disso. Perdidamente apaixonado pelo que faz, ele respira gastronomia.   

Há 22 anos à frente do Meu Cariri Comedoria, refúgio culinário localizado em Olinda, Ricardo não gosta de ser chamado de chef, apesar de ter aprontado toda a vestimenta característica do ofício para aparecer nesta matéria. O cozinheiro é formado pelo Senac e acredita que para uma pessoa se autodeclarar chef é preciso comer muito feijão com arroz.

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Ricardo está à frente do restaurante há duas décadas. Foto: André Soares/PorAqui

“Eu já limpei óleo do chão de restaurante”, relembra Ricardo dando a visão que é preciso carregar o piano antes de galgar um cargo de chefia. “As pessoas ganham uma herança ou indenização e já abrem um bar e restaurante e fica dizendo que é chef de cozinha sem nunca ter lavado uma panela. Para ser um adulto é preciso antes ser criança”, determina.

Além de cozinhar e servir os clientes, Ricardo faz a própria mídia nas redes sociais fotografando pratos. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

Ricardo Resende é um mestre, um verdadeiro monstro da cozinha. “Já fui chef de comida árabe, de comida italiana, então eu desenvolvo comida de qualquer canto do mundo”, diz. É notório o prazer do cozinheiro em finalizar o prato antes de ser posto à prova, o que torna especial a experiência de apreciar a culinária regional do Meu Cariri. Todas as opções do menu são feitas e servidas pelo próprio cozinheiro.

O cozinheiro tem o prazer de servir uma boa comida. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

“Prove isso, você vai cair pra trás”, costuma falar Ricardo que parece não ver problema em se auto elogiar. “Às vezes as pessoas dizem para eu falar menos, porque podem achar que sou metido”, explica o verborrágico Ricardo. Pequeno no tamanho, o restaurante possibilita um contato intimista com o cozinheiro, podendo assim render boas conversas. O homem gosta de falar, ótimo para quem curte escutar boas narrativas.

Como faz tudo em carreira solo sem contar com ajudantes, o cliente interessado em se aventurar no universo do Meu Cariri precisa entender que o ritmo é outro, mais desacelerado, com um viés mais artesanal. “Para ter qualidade tem que ter educação e paciência, porque não pode ser feito o negócio com muita rapidez”, explica. A depender do prato o tempo de espera pode variar.

Bobó de camarão é um dos destaques da casa. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

O cardápio oferece boas opções individuais, como o arroz de polvo com camarão e lagosta (R$ 40), receita inventada pelo próprio; o delicioso bobó de camarão (R$ 35); a linguiça matuta que vem acompanhada de salada e farofa (R$ 20); além de bacalhau e/ou moqueca ao coco (R$ 30); paella (R$ 40); costela de porco (R$ 20), dentre outros. A casa também oferece prato executivo por R$ 12.

Meu Cariri Comedoria
📍Av. Santos Dumont, 100, Varadouro/Olinda (próximo à Padaria Globo)
📅 Todos os dias, das 12h às 16h
📞 (081) 99797-9559