Foi por conta da minha aproximação com o artista-circense Diabolin, quando escrevi o meu primeiro relato ao PorAqui, que tive a oportunidade de conhecer o artesão Jonas Mascarenhas (58), mestre em molduras e arranjos de madeira.

O primeiro encontro aconteceu entre litrões e petiscos apreciados em uma casa/bar de uma periférica ruela da cidade alta, local este que pretendo um dia escrever algumas nuances.

“Pode deixar que ele resolve”, foi assim que Diabolin apresentou o artesão. Pra quem até então tinha que se deslocar até o Beco do Fotógrafo, no bairro da Boa Vista, para emoldurar quadros a preços duvidosos e transportá-los intermunicipalmente, o contato recém-conquistado foi ?.

O quadro em questão era uma pintura do próprio Diabolin, uma coruja meio psicodélica que através das mãos de Jonas ganhou excelentes contornos. O serviço custou apenas R$ 40.

Olindense nascido em uma casa na Estrada do Bonsucesso, o artesão Jonas mora há 27 anos na Primeira Travessa da Rua Coronel Joaquim Cavalcanti, no Amparo, onde também fica o seu ateliê. Lá ele vive com a esposa Maria Fernanda, a filha Lívia (23) e o filho Arthur (22).

Após trabalhar por quase 25 anos como corretor de seguros, Jonas foi impelido pelo mercado a largar tudo, “os profissionais do ramo que estavam como pessoa física pararam de existir e aí fiquei desesperado, sem ter o que fazer”, relembra.

Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

A arte é a última esperança

Com o passar do tempo o artesão percebeu que era preciso trilhar outro caminho para adquirir o sustento da família. Foi quando passou a frequentar a marcenaria do amigo Diogo e aprendeu a manejar as ferramentas do que viria a ser o próximo ganha pão.

Paralelo a isso, como tem alguns artistas na família, Jonas começou a produzir molduras para algumas obras. Nessa época ainda sem cobrar nada.

O trabalho do artesão foi chamando atenção para além do ciclo familiar e a rede de parceiros começou a se formar. “Tenho uma base de 10 a 12 pintores fixos que precisam de chassis, telas, molduras e indicam o meu serviço”, explica Jonas, citando alguns artistas olindenses que fazem parte desse agrupamento e com quem mantém estreita amizade, como Cozete Câmara, Edson Cogu, Toni Braga e Fernando Jacaré.

A atual paixão do artífice foi inspirada pela arte do ex-cunhado (Franklin) Delano. “Quando via as telas dele, eu tinha vontade de vesti-las”, relembrou. Para Jonas, não existe nada mais prazeroso do que transformar uma obra através do emolduramento. “Sou capaz de viajar junto com o artista, me transportar”.

Perguntado se o que faz também é arte, o mestre foi taxativo: “Arte não, sou artesão… é a arte de trabalhar com a madeira, de dar uma melhor forma”, explica.

Contato: (81) 98850-7367 (Jonas)