Ela tinha apenas 11 anos quando se percebeu feminista. Desde os 9 anos pinta representações de mulheres. Agora, com 18 anos, vai fazer a sua primeira exposição. Eu, com meus 35 anos, ainda custo a crer que alguém em tão pouco tempo consiga abarcar tamanha clareza nos próprios passos. Pois bem, sem rascunho e com o pensamento, as mãos e o corpo livre, Ana Sophia Ramos vai aquarelando o que lhe toma o juízo.

Nesta sexta-feira (10), às 19h14, no Sebo Casa Azul, espaço de convivência criado pelo escritor Samarone Lima, será um dos momentos para conhecer um pouco sobre a jovem artista no lançamento da Exposição Mulheres. Neste mesmo dia a casa continuará com a programação normal do sarau, tendo Katarine Araújo como a poeta convidada.

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Desde os 9 anos que Ana Sophia desenha mulheres. Foto: Divulgação

“Eu sempre desenhei mulheres, não nego as tentativas de representação masculina – que sempre se saíram mal sucedidas”, diz Ana Sophia como se precisasse explicar o que ela mesma deixa transparecer. “Não teve esboço, é como se elas (as mulheres) pedissem para aparecer, é muito livre, vai diretamente no papel, não sabia o que ia acontecer”, explica.

O imaginário feminino de Ana Sophia é diverso e a militância feminista brota através da arte. “Desenho mulheres de todos os tipos, carecas, cabeludas, negras, brancas, tristes, alegres, até mesmo mulheres trans”, revela. A despadronização das características físicas representa um novo momento no fazer artístico. “Pouco me importo na reprodução do real, que já me parecia sem sentido algum”.

A artista desenha mulheres de todos os tipos. Foto: Divulgação

“A minha primeira exposição não tinha como ser mais original. Entendo que algumas (obras) são até perturbadoras, mas tem muito a ver com a minha experiência enquanto mulher, que continua sendo muito perturbadora. Falo com tranquilidade que todas as mulheres vão se sentir afetadas pelo que vão ver”, diz a artista com a naturalidade que lhe é característica.

Louca, Vadia, Promíscua, Mentirosa

As mulheres foram batizadas com nomes difamatórios. Foto: Divulgação

A Exposição Mulheres conta com 15 peças que representam personagens também a partir de um nome. Com a intenção de confrontar o lugar de subalternidade que é determinado para a mulher na sociedade, a artista resolveu batizar as obras com nomes pejorativos, como Louca, Vadia, Promíscua, Mentirosa, entre outros.

“Foi uma decisão tomada com muita cautela, sempre fui muito indignada com a falta de credibilidade que se tem apenas por ter nascido com uma combinação cromossômica XX”, revela Ana Sophia. “É tudo para dizer que estamos mais preocupadas com padrões internos de excelência e não com conceitos externos de sucesso, como acontece com os homens”, complementa.

Pós-Visceral

A poeta Katarine Araújo será a convidada do sarau que acontece após abertura da exposição.

No mesmo dia, após abertura da Exposição Mulheres, a Casa Azul realizará mais uma edição do sarau que acontece todas as sextas-feiras há aproximadamente um ano. A cada semana uma pessoa é convidada para recitar escritos de autoria própria e também de outros nomes da literatura. Já estiveram presentes poetas como Ezter Liu, Bell Puã, Carlos Gomes, Nathália Queiroz, Fred Caju, Philippe Wollney.

Para esta edição o sarau terá a presença de Katarine Araújo, autora que escreve poesias desde 2006 e que tem como uma das buscas o rompimento com formatos tradicionais de rima/métrica. Em 2017, a poeta lançou Visceral, primeiro livro da carreira. “A ideia é recitar coisas minhas e, quem sabe, também de outras mulheres”, prevê Katarine.

Lançada em 2016 pela Cartonera do Mar, a primeira publicação de Katarine Araújo está esgotada. Foto: Divulgação

Colaboradora da Casa Azul, a poeta também trabalhou na produção da exposição de Ana Sophia. “Estar ao lado de uma artista que tá expondo pela primeira vez me revela a importância que essa noite terá pra trajetória dela e reafirma uma premissa que eu acredito completamente: quando uma mulher é reconhecida pelo seu trabalho, reforça a luta de todas nós”.

Lançamento Exposição Mulheres | Sarau com Katarine Araújo
📍
Rua 13 de Maio, 121, Carmo, Olinda-PE
📅Sexta-feira (10), às 19h14
Acesso livre
A exposição ficará aberta para visitação até o dia 26 de agosto, de terça a sábado, das 17h às 21h