A cidade de Olinda ganhou na manhã de quinta-feira (5) um complexo para abrigar exposições e manifestações culturais. A reinauguração do Mercado Eufrásio Barbosa marca um nova era para o equipamento que um dia já se configurou como um autêntico mercado público e agora ganha ares de museu contemporâneo.

As novas cores marcam o novo momento do espaço cultural. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

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Após quatro anos de obras e uma reforma que custou por volta de R$ 20 milhões, o rebatizado Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa (MEB) foi reaberto de forma solene e contou com a presença de gestores públicos e centenas de curiosos.

Autoridades no palco em frente ao Teatro Fernando Santa Cruz. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

Estiveram presentes o prefeito de Olinda Professor Lupércio; o secretário de Turismo, Esportes e Lazer do Estado, Felipe Carreras; o vice-governador do Estado, Raul Henry; a deputada federal Luciana Santos; a diretora-presidente da Fundarpe, Márcia Souto; além de outras autoridades.

A abertura ficou por conta de Joana Chaves, responsável pela coordenação do novo Mercado Eufrásio Barbosa, que apresentou para o grande público presente a nova estrutura do Eufrásio e as expectativas em relação aos próximos passos das obras de requalificação.

Literatura e café são destaques na nova estrutura. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

Previsto para estar 100% finalizado até dezembro deste ano, o complexo cultural já conta com o funcionamento de quatro salas de exposição e da livraria-café da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).

Além de mais duas galerias de arte, o Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa (MEB) ainda contará com boxes de artesanato, lanchonetes e restaurantes. A comentada exposição permanente com parte do acervo da arquiteta Janete Costa tem previsão de inauguração para setembro deste ano.

Galerias de arte terão curadoria de Raul Córdula e Roberta Borsoi. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui
O Museu do Mamulengo assegurou espaço permanente no local. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui
Exposição de Bajado está aberta para visitação. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

Aberto para visitação do grande público, hoje o espaço conta com a exposição “Tânia Carneiro Leão – Pinturas”, da filha de Eufrásio Barbosa; “Olhares Pioneiros”, de um coletivo de artistas olindenses modernos; uma exposição do artista Bajado; além do Museu do Mamulengo.

A princípio, o funcionamento de todo o Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa (MEB) será de terça a sábado, das 9h às 13h, sendo ampliado posteriormente à medida que o restante da estrutura estiver ativa. O acesso é gratuito.

Gestão administrativa

Durante a solenidade de reinauguração do complexo cultural não ficou aparente como será conduzida a política de ocupação do espaço, o que só corrobora com o receio presente entre alguns olindenses e ativistas da cultura de que a requalificação se transforme em mais um elefante branco na cidade. 

A propósito, a verticalidade nas decisões sobre os rumos do Mercado Eufrásio Barbosa vem sendo questionada desde 2014, como mostra nota publicada pela Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta (Sodeca) que rememora o passo a passo das reivindicações.

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“Nós, moradores de Olinda, consideramos que um Mercado Público [e Equipamento Cultural] que valoriza a cultura e culinária regional e que privilegia alimentos orgânicos e de origem local, a exemplo de tantas cidades mundo afora, traria muito mais benefícios para a cidade”, relata um trecho da nota.

O passista Wilson Aguiar posa para foto na sacada do antigo Bar da Rampa. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

“Não adianta ter um espaço bonito, é preciso movimentar. O que me preocupa é saber como vai ser a administração”, diz Wilson Aguiar (54), passista de frevo que frequentou o Mercado Eufrásio Barbosa nas décadas de 1980 e 1990. “O Bar da Rampa era o nosso lugar, onde aconteciam eventos culturais, uma coisa bem popular mesmo”, complementa.

O espaço citado foi um complexo de bares que agitava a vida cultural da época e com o novo projeto possivelmente se transformará em boxes de artesanato e lanchonetes. Para solucionar um possível esvaziamento, Wilson acredita na articulação entre os artistas. “É preciso que a gente se organize para chegar junto e propor atividades. Organizar isso não é papel da gestão pública”, acredita.

A gestão do Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa (MEB) está nas mãos da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD/Diper), do Governo do Estado de Pernambuco. 

Protesto 

Faixa-protesto contra a prisão de Lula foi pendurada durante solenidade. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

Um fato inesperado aconteceu na solenidade abertura do novo espaço cultural. Enquanto gestores públicos desenvolviam suas respectivas falas, uma faixa com a hashtag #LulaLivre foi pendurada no guarda-corpo da laje por cima dos boxes chamando atenção dos presentes. A mesma foi retirada minutos depois.