Um ambiente onde as pessoas têm dificuldade de acesso a água é realmente um bom lugar para se morar? É um clichê histórico exaltar a beleza da cidade de Olinda, mas de que adianta viver em um lugar que oferece tantos deleites, mas precariza um direito tão básico aos seus moradores?

Sabemos que esse não é um problema apenas de Olinda, a distribuição de água potável é desigual em todo o país, as famílias mais abastadas são as que mais consomem e as que menos são afetadas por políticas de distribuição.

Ricardo Braga, presidente da Associação Águas do Nordeste (ANE), apresenta dados alarmantes, “51% da água em Pernambuco é desperdiçada, isso levando em conta os variados vazamentos, os casos de roubo e o 1% é do nosso desperdício diário, com os fazeres cotidianos”.

“A água já está há 12 dias sem chegar, não estamos conseguindo lavar nada, nem a cara, nem o corpo”, alerta Mãe Beth de Oxum, moradora do Guadalupe e mentora do Coco de Umbigada. Segundo ela, a autonomia tem que vir da comunidade, “A gente vai ter que furar um poço, a Compesa não tá dando conta, a Prefeitura largou geral. A cidade tá um caos”.

Carlos, morador do Amaro Branco, lamenta não ter se informado sobre o problema antes de se mudar para a cidade alta há dois meses, “Aqui só chega água dois dias por semana, tive que comprar um tonel pra encher quando a água vem. Além disso, estouram vários canos aqui na esquina do Convento de São Francisco.”

Mesmo morando no Carmo, em uma área nobre e turística do Sítio Histórico, a escritora Katarine Araújo não está livre do problema, “A gente fica sem poder se programar pra coisas simples no dia a dia de um bom funcionamento de uma casa, como faxina, como cozinhar, a gente fica sem poder se programar e ter uma vida normal.”, lamenta.

Para o arquiteto Natan, morador dos Bultrins, a situação aperta mesmo para os de menor poder aquisitivo e aponta para soluções coletivas de cooperação entre vizinhos, “Tivemos que construir uma cisterna grande pra poder acumular mais água, mas muita gente não tem condição financeira pra isso. Tanto é que muitas vezes cedemos água para os que mais precisam.”

O desperdício d’água é um capítulo a parte para o arquiteto, o que o motivou a montar um sistema de monitoramento próprio, “Toda semana tem um vazamento de água que dura de duas a quatro semanas para a equipe da Compesa resolver o problema. Por isso, comecei a fazer um mapeamento dos pontos de vazamento na rua”.

Projeto Olinda + Água

Segundo a Compesa, o Projeto Olinda+Água, programa de abastecimento de água em execução na RMR, contempla 15 bairros da cidade: Casa Caiada, Bairro Novo, Bultrins, Jardim Atlântico, Jardim Fragoso, Rio Doce, Varadouro, Carmo, Guadalupe, Santa Tereza, Bonsucesso, Monte, Amaro Branco, Ouro Preto e Jatobá

A meta do projeto é fazer a distribuição de água todos os dias nos bairros supracitados, “É preciso muita coragem para realizar uma obra desse porte. A Compesa está qualificando a rede distribuidora em Olinda e interligando as tubulações novas às antigas. Por isso é natural essas intercorrências de falta de água”, explica Simone Albuquerque, diretora Regional Metropolitana da Compesa.

O prazo máximo estabelecido para resolver todas dificuldades de abastecimento nessas áreas é até o dia 15/01/2018.

A Compesa disponibilizou um número de telefone específico para atender os clientes dessas áreas: (081) 99488-5119 (WhatsApp).