“Pai, faz um hino pra Elefante”, disse um dia Cláudio Nigro, mais conhecido como Mirula, para o seu pai Clídio Nigro. Segundo relato contado nesta valiosa entrevista, foi a partir desse pedido que uma das composições mais célebres da cidade de Olinda tomou forma como hino do tradicional Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda.

Falecido nesta quinta-feira (12) devido a uma infecção generalizada, um dos fundadores do Elefante, Mirula, 84 anos, não só vai deixar saudades entre os seus amigos e familiares. A reverberação da perda é ainda maior, diria que até intangível e invisível, pois ela leva consigo as memórias e os encantos de um carnaval de rua que parece se esvair no tempo.

Como uma espécie de enciclopédia da folia momesca, Mirula, frequentador do Bar do Peneira como muitas e muitos, viveu os seus últimos dias em Natal, onde estava fazendo de lar um hospital-residência. A internação atrapalhou os planos da família que planejava o seu retorno para Olinda. Certamente a cidade no mundo que mais o percebia.

 

O corpo de Mirula deve chegar ao Recife no início da tarde de sexta-feira (13). O velório será na Ladeira da Misericórdia, 24, nos Quatro Cantos de Olinda, ainda hoje, a partir das 17h. O sepultamento será no sábado (14), no Cemitério de Guadalupe, às 10h. 

Um cortejo do Elefante de Olinda está sendo organizado para homenageá-lo no dia do sepultamento, com saída às 9h.