Foi na década de 1980 que o indigenista e documentarista franco-brasileiro Vincent Carelli começou a registrar as narrativas dos povos indígenas brasileiros. Assim nasceu a ONG Vídeo nas Aldeias (VNA), projeto radicado na cidade de Olinda, em Pernambuco, que é pioneiro na produção e formação audiovisual indígena.

São mais de oito mil horas de gravações e um arquivo com quase 90 filmes que tornam o acervo do Vídeo nas Aldeias um dispositivo tecnopolítico fundamental para desvendarmos o Brasil profundo e que vai além das narrativas hegemônicas. A notícia boa é que parte desse material agora está acessível por meio de uma plataforma streaming lançada pelo VNA na última segunda (16).

Acesse ? http://videonasaldeias.org.br/loja/

Vincent Carelli começou o experimento com a tribo Nambikwara, no Mato Grosso. Foto: Beto Ricardo – ISA

“É uma ideia antiga, mas agora com a ascensão das plataformas de vídeo e da internet para possibilitar o streaming, a distribuição se tornou possível”, explica Bruno Huyer, membro do Vídeo nas Aldeias que atualmente está responsável pela disseminação de conteúdos da ONG. Em um passado recente, para ter acesso a qualquer filme do acervo era preciso adquirir um DVD ou ter a oportunidade de assistir no cinema.

“A plataforma vem muito nesse contexto político difícil para todos os povos indígenas e aliados. É um momento complicado e ela vem pra tentar contribuir”, explica. A iniciativa é 100% independente, ou seja, a ONG não recebeu apoio financeiro e por conta disso usa o servidor do Vimeo como suporte para escoamento da produção.

Incentivo

O premiado filme Martírio, dirigido por Vincent Carelli, também está disponível. Foto: Divulgação
Os filmes na plataforma estão divididos entre curta, média e longa-metragens. Cada um está separado em dois valores distintos. Para os curtas você pode desembolsar US$ 1 (aluguel) e US$ 2 (compra); médias por US$ 2 (aluguel) e US$ 3 (compra) e longas US$ 3 (aluguel) e US$ 4 (compra).
A divisão da receita arrecadada está dividida em três partes. Os cineastas ficam com 35% do valor, as comunidades ficam com 35% e o Video nas Aldeias fica com 30% para arcar custos com o acervo, manutenção e equipamentos. “A gente espera que com os relatórios das vendas que a plataforma vai nos trazer, essa distribuição seja facilitada”, diz Bruno.