Para quem ainda não sabe nem passa perto de desconfiar, os “olindenses” que aqui viviam antes da invasão europeia eram da etnia Tabajara. Os Tabajaras, originários da migração Tupi, ocuparam o litoral brasileiro e, segundo relatos, por conta de um caso de amor entre uma indígena e um invasor português a paz foi selada entre as duas partes.

A protagonista do romance teria se chamado Muyrã Ubi, filha de Uirá Ubi, cacique da Tribo Tindara. Ela conheceu o português Jerônimo de Albuquerque, irmão de Brites de Albuquerque e cunhado do donatário Duarte Coelho após uma batalha perdida pelo portugueses.

“Esposa de Duarte Coelho”, Dona Brites tem passado esquecido

Na ocasião, Jerônimo de Albuquerque, apelidado de o “Adão pernambucano” pela generosa quantidade de relacionamento e filhos que somou, levou uma flechada no olho e outra na perna, o que lhe rendeu o apelido de “O Torto”, e foi capturado pelos nativos antropófagos. Debilitado, foi enjaulado pela tribo para cura e engorda.

Como era de praxe na tribo Tindara, os “presos políticos” ficavam sob os cuidados de algumas índias que tinham por obrigação oferecerem comidas e caprichos aos prisioneiros europeus para deixá-los no grau até a véspera da cerimônia canibal.

A indígena Muyrã Ubi nasceu em Igarassu e viveu em Olinda.

A história conta que mesmo sabendo do destino que o esperava, Jerônimo manteve as conhecidas práticas sexuais ativas com as cuidadoras. Aproximando-se ainda mais do dia do sacrifício, era costume da tribo não lanchar os prisioneiros sem antes oferecer-lhes uma “esposa” na véspera do dia “D”. Tais cuidados ficaram por conta de Muyrã Ubi, que supostamente já estaria apaixonada por Jerônimo.

Muyrã Ubi mexeu os pauzinhos para protelar a morte de Jerônimo e após trocas de afagos e juras de amor, lhe prometeu um filho. No momento que se preparavam para devorá-lo, ela intercedeu pedindo para não matá-lo. O apelo foi atendido. Diante da situação formada, o cacique da tribo aliviou a barra do português e a paz entre os índios tabajara e os colonizadores foi instaurada.

Casamento

A rainha Catarina da Áustria proibiu o casamento cristão.

Muyrã Ubi e o “Adão pernambucano” se casaram segundo os ritos da tribo Tindara. Após o matrimônio o nome da indígena foi modificado para Maria do Espírito Santo Arcoverde, em homenagem à festa de Pentecostes que estava sendo celebrada no dia do seu batismo.

Jerônimo de Albuquerque ainda quis se casar na igreja católica com Muyrã Ubi, mas Catarina da Áustria, então rainha de Portugal negou a proposta e o proibiu de cometer o ato matrimonial. Como se não fosse pouco, ainda obrigou o português a se casar com a conterrânea Filipa de Melo, filha de Cristovão de Melo.

Escritos contam que Muyrã Ubi “elegantemente resignou-se , passou a viver e cuidar da educação dos filhos e dos netos e na observância da doutrina cristã, já que desejava a salvação de sua alma”. Nascida em Igarassu, ela faleceu em Olinda no ano de 1558, aos 48 anos.