Símbolo de atos culturais e políticos, o coreto da Praça do Carmo, em Olinda, está fechado com tapumes. A ação foi uma medida da prefeitura para “evitar depredação”. “Os moradores de rua estavam invadindo, fazendo baderna e destruindo o patrimônio” – as palavras são da assessoria de comunicação do Prefeito Lupércio.

“Quando a atual gestão municipal assumiu, já se encontrava em processo de degradação. Moradores de rua passaram a usar como moradia, e parte do gradil foi derrubado. Após muitas tentativas, foram colocados tapumes, e já recolocamos por outras quatro vezes”, diz a nota oficial.

Além de questionarem a questão estética, parte dos moradores do Sítio Histórico criticou a medida alegando que é preciso haver uma ocupação mais efetiva do coreto, com manifestações artísticas e culturais, que levem um público amplo e diverso para a praça.

“Eles chegaram expulsando a gente, recolhendo nossas trouxas. A gente não queria sair, agora está aí o coreto fechado, o nosso dormitório. Um lugar tão bom, seguro porque é perto do posto policial, tem coberta pra chuva, agora a gente está na Ribeira, em um lugar exposto, aberto, eu quase não durmo porque tenho que ficar ligado. Se pelo menos fossem restaurar o coreto, mas pelo visto não vão fazer nada, agora está fechado, sem uso. Nos falaram que, se voltássemos pra lá, alguma coisa ruim ia acontecer, eu mesmo que nem chego mais perto porque a corda sempre tora pro lado do mais fraco”, relata Luiz Alves, morador de rua.

(foto: Flicrk/Prefeitura de Olinda)

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Ocupação

Questionada sobre as estratégias e os planos da gestão para ocupação do monumento histórico com iniciativas e atividades públicas, a prefeitura responde que “a Praça do Carmo tem recebido manutenção de limpeza diariamente. Vem sendo ocupada por jovens em atividades físicas, caminhadas e treinamentos funcionais. Aos fins de semana, vários grupos culturais utilizam o espaço para realizar ensaios e apresentações”. Mas quem mora em Olinda sabe da ociosidade do coreto.

A gestão lista ainda que, até o final do ano, outras atividades passarão por lá, a exemplo da Semana Municipal do Trânsito, empreendedorismo e festivais como MIMO, Festival da Tapioca, Cena Brasil, Festival de Fotografia e Cantata de Natal.

Restauro

A prefeitura adianta também que um estudo está sendo feito por um especialista em tombamento para restauração do equipamento, mas que não é algo simples, pela sua peculiaridade histórica.

Segundo artigo publicado no site da prefeitura, o coreto da Praça da Abolição (Preguiça), feito em ferro, foi adquirido pelo município de Olinda em 1914, na gestão do prefeito Arthur Hermann Lundgren, para compor a urbanização da área, que estava sendo transformada em praça.

No Brasil, o surgimento dos coretos populares data de meados do século XIX, para atender cantadores, poetas e bandas.

Colaborou Rodrigo Édipo