Assumir que o Brasil é um país racista é o primeiro passo para compreendermos que os diversos ambientes frequentados por nós estão passíveis de serem espaços discriminatórios. Segundo Stela Guedes Caputo, pesquisadora da UERJ e autora do livro Educação nos terreiros – e como a escola se relaciona com crianças de candomblé, no ambiente escolar este tipo de discriminação permeia as relações de aprendizagem.

Desde 2015 à frente do projeto KanTeatro, festival de teatro realizado na Escola Municipal Isaac Pereira, em Jardim Atlântico (Olinda), Maria Mazarelo, professora e negra, encontrou uma forma de ajudar no fortalecimento da identidade racial e combate ao racismo no ambiente escolar. 

A Prof. Maria Mazarelo toca o projeto há 3 anos. Foto: Divulgação/Facebook

O projeto que está com campanha de financiamento coletivo em andamento na plataforma SomosProfessores.org (somosprofessores.org/projeto-aberto/kanteatro), hoje funciona também na Escola Municipal Sagrado Coração de Jesus, no Amaro Branco, e é desenvolvido a partir de duas frentes transdisciplinares, envolvendo alunas, alunos, professores, diretores e também a comunidade do entorno.

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A primeira frente se trata da pesquisa e elaboração de materiais didáticos para diferentes disciplinas, explorando temas que envolvem o racismo, contra-racismo, história e cultura africana e afro-brasileira. O material coletado é utilizado por professoras e professores do 4° e 5° nas “aulas normais”.

Na segunda parte a professora Maria Mazarelo e equipe resgatam os temas já trabalhados e criam e ensaiam peças de teatro que visam refletir nossa realidade social, o resgate de memórias e a reconstrução da identidade afro de estudantes negros e não negros.

Foto: Facebook/Divulgação

Campanha contra o preconceito

Com o objetivo de dar continuidade ao formato, a Profa. Mazarelo solicitou apoio da ONG pernambucana SomosProfessores.org para arrecadar fundos no custeio de materiais como tecidos, papeis, colas, tintas, TNT para a produção de figurinos e cenários, como também materiais didáticos para todo o ano letivo. A campanha está na fase final.

Campanha disponível na plataforma somosprofessores.org está nos últimos dias.

Segundo a professora, o resultado já pode ser avaliado como positivo. “O combate ao racismo é uma questão urgente e é importante descobrirmos o que nos foi ocultado por muito tempo. O teatro possibilita esse confronto direto, ele é impactante, colorido e proporciona essa reflexão crítica”, complementa Mazarelo que hoje atende no projeto 148 adolescentes.

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