A greve dos caminhoneiros que hoje ultrapassa a marca dos onze dias tem proporcionado experiências inspiradoras de convívio urbano. O melhor exemplo é que a escassez da gasolina deu uma trégua no impraticável engarrafamento da Região Metropolitana do Recife (RMR).

É simples, se não tem combustível, as pessoas mais maleáveis começam a perceber que a dependência de um carro para se locomover é mais um componente de formação psicológica do que algo relacionado ao âmbito prático. 

Em Olinda não tem sido diferente, a pista (bem) mais livre fez a farra dos transportes mais sustentáveis em dias de greve: pés, skate e a bicicleta, parceirona dos trabalhadores e dos ativistas da mobilidade, são os modais mais utilizados.

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Contudo, uma vez que o espaço passa a ser utilizado, as demandas começam a aparecer. É como um levantar de tapetes, tudo que foi jogado lá embaixo vem à tona. Por conta disso, o atual alvo das reinvindicações aqui em Olinda é o novíssimo trecho de 2,9 km do Eixo Cicloviário Camilo Simões.

Há menos de dois meses o mesmo estava sendo inaugurado com fotos e apertos de mãos entre o prefeito de Olinda, Professor Lupércio e o secretario de Turismo do Governo de Pernambuco, Felipe Carreras. Passado esse pouco tempo, as duas partes da moeda parecem se esquivar das responsabilidades.

Alguém acende a luz?

Foto com flash tirada por ciclista em trecho da ciclovia.

O problema da iluminação no trecho que vai da casa de shows Classic Hall e o largo do Varadouro é um dos pontos mais delicados. “Fica totalmente escuro, o ciclista que não tiver um pouquinho de luminosidade, não consegue fazer o circuito porque não dá pra enxergar nada”, explica Paulo Marcelo Pontes, ciclista urbano e morador do Janga.

Paulo também é associado da Ameciclo (Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife) e diariamente faz um bate-volta até o bairro de Dois Irmãos, localizado no extremo oposto da RMR em relação ao lugar onde mora. Ainda sobre iluminação, ele faz mais uma denúncia.

“Alguns postes de LED foram feitos com a fundação insuficiente e estão cedendo, inclusive um deles está prestes a cair, com risco de atingir algum ciclista ou pedestres. Simplesmente porque a gente não vê manutenção”, alerta.

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As reinvindicações dos cidadãos já estão em movimento, mas ainda não está muito claro a qual órgão reportar. “Enviei reclamação para Ouvidoria-Geral do Estado do Pernambuco, mas disseram que a responsabilidade é da Prefeitura de Olinda”, conta Roberto Paiva, morador de Olinda e usuário de bicicleta.

A resposta veio do Gerente de Ciclomobilidade da Secretaria de Estado do Turismo, Esporte e Lazer, Jason Torres, direcionando a responsabilidade da rede elétrica da cidade de Olinda à Secretária de Trânsito e Transporte de Olinda. Ciente do repasse, o PorAqui entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Olinda, que jogou a peteca de volta.

Segundo a gestão municipal, a responsabilidade da manutenção da ciclovia ainda é do Governo do Estado e que a mesma não foi entregue para a administração do município.

Outros problemas

Obra recente ainda está na garantia para reparos. Foto: Divulgação

O novo trecho cicloviário da cidade ainda apresenta muitas outras broncas, como a inexistência de calçadas para pedestres em alguns trechos, os lixos acumulados, motociclistas que utilizam a ciclovia para trafegar na contramão e carros que arbitrariamente decidem estacionar na área.

“É importante ressaltar que por se tratar de uma obra nova, certamente ela ainda está na garantia do projeto”, explica Paulo Marcelo Pontes.

Paulo alerta para o atraso da implementação do Plano Diretor Cicloviário da RMR. Foto: Divulgação/Facebook

Segundo o ciclista, significa que a Prefeitura de Olinda e/ou Governo do Estado podem ativar a fiscalização para que a empresa executora da obra faça os reparos sem que isso onere os cofres públicos.