Os pleitos estão em plena ebulição. Prestes a ser devolvido após três anos de reforma, o Mercado Eufrásio Barbosa está cada vez mais no centro das atenções. As discussões travadas pela sociedade civil com o movimento #OcupeEufrasio desde o início das obras de restauração estão diretamente relacionadas a que tipo de uso o espaço virá a ter por parte da população.

Centro cultural com exposição fixa, espaço para apresentações de artistas da música contemporânea, lugar para comer uma boa comida nordestina, teatro para apresentação de grupos populares e contemporâneos, mercado de pescados, carnes, ervas medicinais, livrarias, bibliotecas, cafeterias, sede de grupos culturais, programação para a terceira idade, brechós…

Teoricamente são tantas as possibilidades que a dimensão física e simbólica deste equipamento público oferece que no próximo dia 05 de março, no plenário da Câmara Municipal de Olinda, haverá um seminário sobre o Plano de Gestão do Mercado Eufrásio Barbosa e qualquer olindense e simpatizante, como sempre deveria ser praxe da gestão pública, está convidado a participar.

Teatro do Bonsucesso é reaberto nesta terça (30). Mas e agora?

Enquanto esse dia não chega, o PorAqui resolveu resgatar um pouco a história deste importante espaço da nossa cidade.

Sobre doces e varais

Rótulo de produto da Amorim Costa & CIA. Imagem: Acervo Biblioteca Nacional Brasil

O construção do atual Mercado Eufrásio Barbosa nasce do século XVI e, por muito tempo, foi a Casa da Alfândega Real do Império Marítimo Português em Olinda, onde eram mercantilizados produtos advindos do continente europeu.

Neste período, os tecidos que vinham do “Novo Mundo” eram pendurados em varas de madeira com pedaços de ouro nas pontas e, por conta disso, o nome do entorno ficou conhecido como Varadouro, onde pequenas embarcações, chamadas de galeotas, chegavam e partiam rumo ao Recife. “Varadouro das galeotas” com o tempo foi abreviado para apenas “Varadouro”.

No mesmo prédio, também funcionou, entre os anos de 1894 e 1960, a Fábrica de Doces e Conservas Amorim da Costa & Cia, empreendimento que apareceu de forma promissora como uma das mais modernas indústrias alimentícias de Pernambuco.

Os produtos da fábrica foram disseminados pelas cozinhas de todo o Brasil e também exportados para alguns países americanos e europeus.

A falência do empreendimento foi um balde de água fria para algumas pessoas que apostaram no potencial de Olinda como uma cidade industrial. Em 1979, o equipamento foi adquirido pela Prefeitura de Olinda e passou por uma grande reforma, quando foi inaugurado, em 1990, como o Mercado Público Municipal Eufrásio Barbosa.

Até hoje os azulejos originais, com o letreiro da Amorim da Costa & Cia, podem ser vistos nas paredes do mercado.