Por ser imune a esse calor dos infernos, o Caboclo de Lança será o primeiro brasileiro a fazer parte de Os Vingadores. O próximo filme dos super-heróis de Stan Lee se passará em um local e uma época onde a sensação térmica é de 80 º C: o Carnaval de Olinda.

Após derreter, em questões de segundo, o Homem de Ferro, o escudo do Capitão América, o martelo de Thor e transformar o Hulk em uma papa de abacate, O Diabo Loiro, com seu sopro incinerante chamado Verão, tal como os holandeses, incendia as ladeiras da cidade repletas de uma multidão com o c* pegando fogo.

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Enquanto isso na Sala da Justiça, em pleno Alto da Sé, O Homem Aranha, antes de descer o elevador, sentiu estourar uma hemorroida externa após sentar num teto de um sobrado por não suportar o calor que fazia em Olinda.

Todos os heróis, com suas heroínas, tiraram as fantasias achando que também iriam derreter com aquele quentura no quengo. Os clarins entoavam dando a sensação de ser as trombetas do Juízo Final.

O suor, aos litros, escorriam das faces dos foliões inundando toda a Cidade Alta. A essa altura, os bonecos – que da argila vieram -, à argila iam voltando. Tanto é que do, garboso Homem da Meia-Noite, só sobrou o dente de ouro.

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O Anjo de Fogo, endemoniado como um anfitrião malicioso, fizera uma armadilha em sua festa: do topo do farol, vendo aquela multidão toda a se desmanchar, balançando os braços por cima dos chifres, com o tridente em umas das mãos e a Skol Beats na outra, ironicamente e demonicamente cantava: “Ai que calor, ô, ô, ai que calor ô, ô, ai que calor ôôôôô…”. Quando, de repente, eis que surge ele: o Caboclo de Lança.

Portando todas as suas vestimentas, levantando sua lança e balançando o surrão, dançava nas ruas como se os paralelepípedos escaldantes de Olinda fossem o chão da Sibéria no mais nebuloso inverno.

Foi aí que o feitiço virou contra o feiticeiro. Ao sentir a indiferença do Caboclo àquele calor do Satanás, O Diabo Loiro sentiu a mesma agonia que a gente sente quando, num mormaço da moléstia, depara-se com alguém de casaco e explodiu num frevo homônimo que entoou nos 4 Cantos.

Questionado pelo indignado Boy do Loló, que tivera sua mercadoria evaporada, o porquê de tanta demora para aparecer, o Caboclo de Lança, ajeitou seu lenço no pescoço, abaixou os óculos, tirou o cravo branco da boca e, olhando de soslaio, apenas disse: “Tu sabe quanto tempo leva de Nazaré da Mata pra cá, fi de rapariga?!”.

 

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