Agora é pra valer? Após duas décadas o Teatro Popular do Bonsucesso em Olinda é reaberto para o público nesta terça-feira, 30 de janeiro de 2018, às 9h. É sabido que o acontecimento traz um respiro de esperança aos olindenses, já que por muito tempo convivemos com o sucateamento de vários equipamentos culturais públicos na cidade.

Mas a notícia da entrega do Teatro do Bonsucesso sem muito alarde por parte da gestão pública vem pela metade. Assim como na reabertura do Clube Atlântico no início de janeiro de 2018, a Prefeitura de Olinda não deixa muito transparente a partir de quais premissas está sendo pensada a política de ocupação desses espaços.

Após duas décadas, Teatro do Bonsucesso está quase pronto

Segundo informação oficial, após o período carnavalesco a Secretaria de Patrimônio e Cultura se reunirá com a classe teatral “para discutir as pautas e produções”. Parece ser um bom começo, mas será que a estratégia é suficiente ou o mecanismo de participação precisaria ser mais amplo, democrático e, principalmente, transdisciplinar? O pessoal da dança e da performance será chamado? E as escolas? E a vizinhança?

É preciso que os gestores públicos e os próprios moradores da cidade compreendam o potencial que um equipamento público como o Teatro do Bonsucesso pode representar na construção da cidadania, no desenvolvimento da autoestima e na melhoria da qualidade de vida das crianças e jovens que vivem nas comunidades do entorno.

É óbvio que estruturar os equipamentos é necessidade básica para começarmos a fazer algo melhor, mas de que irá adiantar estarem funcionando perfeitamente se os modelos de gestão e ocupação escolhidos estejam desconectados dos territórios que fazem parte? Existem propostas políticas, pedagógicas e artísticas sérias em discussão ou o conforto das poltronas será a principal pauta? Como será a comunicação com a rua?

Ângelo Fábio é diretor do Cine Teatro Bianor, em Camaragibe. Exemplo de coletividade e pensamento político. Foto: Reprodução

Divirto-me em imaginar o que um teatro localizado no bairro do Bonsucesso pode oferecer de único para o resto do mundo que um equipamento do mesmo perfil em São PauloNova Iorque ou Paris jamais conseguiria realizar.

Respeitando os devidos contextos, o que podemos aprender e nos inspirar com a experiência de luta do Cine Teatro Bianor lá de Camaragibe, que tem contado a história do município para além das páginas policiais? Não seria legal um intercâmbio?

Qual o senso de democracia que Olinda precisa? Além da reabertura de um mero prédio, é importante que a gestão pública permita que os cidadãos olindenses e os visitantes da cidade possam chegar junto não só como público consumidor, mas também como participantes ativos. Negar esse caminho poderá custar caro e iniciar um novo ciclo de ostracismo?

Por falar nisso, logo mais será a vez do Mercado Eufrásio Barbosa reabrir as portas, alguém saberia informar como andam as entrelinhas por trás dos tapumes?

Retomada da programação

Em resposta ao PorAqui, a Prefeitura de Olinda enviou uma nota nesta terça-feira (30) afirmando que a programação do espaço será retomada aos poucos e está sendo discutida com os artistas locais.

Confira a nota na íntegra:

“A Secretaria de Patrimônio e Cultura de Olinda esclarece que o Teatro do Bonsucesso estava fechado há 20 anos e a atual gestão não mediu esforços para recuperar o local. A programação do espaço será retomada aos poucos. Está agendada, inclusive, uma reunião no próximo dia 26 de fevereiro com os próprios artistas para, de forma democrática, discutir as pautas de espetáculos e as ações futuras neste equipamento cultural.”