Três caras vestidos de preto, cheios de maquiagem, num estilo meio Kiss, meio Ney Matogrosso. Eles eram a banda Textículos de Mary. A galera fazia um som punk e com letras pesadamente sexuais e escrachadas em plenos anos 1990.

A banda olindense, do bairro dos Milagres, começou suas atividades subversivas no final da década. Formada pelos integrantes Chupeta (Fábio Mafra), Lolypop (Henrique Durand) e Cilene Lapadinha (Tony), fazia jus aos irreverentes figurinos com que a banda se apresentava e à postura abertamente gay que os integrantes mostravam em cima do palco.

Em atividade entre os anos de 1998 a 2004, a banda teve uma vida curta, mas muito intensa. Começaram reunindo os amigos pra tirar uma onda, tocando e se travestindo de mulher por curtição – e foram parar nas telas da MTV.

Depois se juntarem oficialmente na banda, passaram a fazer shows por diversos estabelecimentos do Recife e Região Metropolitana, principalmente em bares que reuniam toda a classe artística pernambucana em ascensão da época, como na extinta e famosa Soparia e no bar Pina de Copacabana, ambos tocados por Roger de Renor.

Contramão

Em um tempo onde o Manguebeat ainda pulsava com força pelas veias recifenses, a Textículos de Mary surgiu na contramão do movimento mangue, com uma pegada mais Punk Rock e Glam. Os shows eram regados a maquiagens pesadas e simulações de sexo no palco.

As músicas, a grande maioria delas com temática sexual, eram propositalmente pesadas a fim de constranger os conservadores e trazer à tona o submundo dos excluídos e das minorias sociais.

Unindo música e artes cênicas, a banda chamou a atenção dos holofotes, principalmente depois da apresentação no renomado festival Abril pro Rock no ano de 2001, que gerou um convite para gravarem seu primeiro disco com a DeckDisc, que saiu em 2002.

No mesmo ano, lançaram um clipe na MTV da música Propóstata e foram indicados à categoria de Melhor Videoclipe de Artista Revelação no VMB do mesmo ano. Com a pressão da gravadora, que exigiu mudanças nas letras das músicas e atitudes no palco, e sem a parceria de nenhum produtor, a banda acabou prematuramente em 2004.

A Textículos de Mary é hoje reconhecida como a primeira banda com uma postura abertamente gay na história do rock brasileiro e possui até um minidoc, com entrevistas de diversos nomes da música pernambucana e brasileira que acompanharam a história da banda. Vale a pena relembrar ou conhecer uma banda tão “do rock” como esses cidadãos olindenses costumavam ser. É só clicar no vídeo abaixo.