São João, Copa do Mundo, Réveillon e Carnaval são apenas algumas das festas tradicionais responsáveis por traumas causados na vida dos cachorros, devido ao grande número de explosões em consequência do uso de fogos de artifício. Para quem mora na Zona Norte do Recife, o adendo de conviver próximo aos estádios dos três principais clubes de futebol de Pernambuco, ganha reforço semanal durante os campeonatos.

“Se reparar, todos os animais se estressam com estrondos, não apenas fogos de artifício. Eles não têm consciência da pólvora. Não apenas os cachorros, mas todos os animais entendem esse estouro como algo de grande impacto. Esse barulho é associado por eles a coisas que podem machucá-los”, esclarece o médico veterinário psiquiatra e psicólogo de cães Dr. Alberto Campos.

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O pânico é desenvolvido, principalmente, entre o terceiro e o sexto mês de vida. Para tirar o medo do animal, é necessário um tratamento de associação positiva através de ações progressivas. É utilizado, desde o traque de massa, até celulares com barulhos de explosões. Alberto afirma que, com seis meses de treino, participação e repetições diária dos exercícios com a família dedicada, podem ser atingidos resultados excelentes.

Buldogue francês tratado pelo veterinário | Foto: Divulgação

Transtornos

São inúmeras as possibilidades de síndromes e transtornos desenvolvidos pelos cachorros, principalmente em ambientes urbanos. Crescer dentro de uma construção de paredes pode ser bem mais danoso e prejudicial quando o animal não tem suas necessidades básicas atendidas e, se for o caso, até tratadas da forma adequada. Tudo que fuja ao comportamento padrão de um animal doméstico pode e deve ser analisado com todo carinho.

“O comum seria viver com um cão dócil, que não agride as pessoas ou outros cães nas ruas. Um que obedece e fica ao lado do dono, não é escandaloso, não sobe nos móveis e sofás em casa ou destrói qualquer coisa”, explica o médico que ainda afirma que os animais possuem a mesma base de sentimentos dos humanos, como amor, ódio, raiva, vingança, tristeza, alegria e até mesmo lembranças ruins e dores. Se um animal passa o dia inteiro em casa sem interação, ele vai aprender sozinho experimentando texturas, como o clássico caso dos sofás destruídos.

“As pessoas querem ter um cachorro e não sabem como dá trabalho. Precisa de atenção, comida, passeios diários (com observação no plural), escovação, higiene, entre outras coisas. Uma série de ações que, necessariamente, exige a participação humana. E, sem essas atenções, ele desenvolve, naturalmente, problemas psicóticos e de obsessões, como apego a objetos, e ciúmes excessivos. O problema do cão se torna dos tutores”, relata.

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Tratamentos

Para tratar esses traumas não existe uma regra. Tem que conhecer o cão, o histórico, estudar o dia a dia para perceber o que aconteceu com ele e tentar corrigir, estimular, ensinar e extinguir antigos problemas. O tratamento de Alberto com novos comportamentos e condicionamentos são moldados, como ele mesmo afirma, de forma positiva.

Os casos mais estudados, com base na relação de busca dos tutores dos cães por cuidados médicos, são as ansiedades de separação, cães desobedientes e medrosos.