O horário eleitoral nos visita, entra e sai sem licença pedir.

Testa a nossa paciência, de um jeito sutil nos obriga a assistir.

É um vai-e-vem de novas caras, uma romaria de raposas insistentes.

Uns se arriscam debutando, outros arrastam seus descendentes.

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Falar do outro é o mote, a nota primeira, o tema central.

Apresentar propostas para quê, se o que vale a pena é “malhar o pau”?

Um acusa o Zé das Couves de não ter cuidado do lixo de sua cidade.

Esquecendo-se, porém, de que o povo também colabora para a sujeira da comunidade.

Gastam seu curto espaço de tempo tratando mal o oposto candidato.

Acabadas as eleições, aquele mesmo agredido se torna o seu maior aliado.

Subestimam a inteligência do povo, duvidam do seu conhecer.

Nem atinam que em suas falas combinadas lhes falta muito saber.

João das farinhas afirma que fez o céu, a terra e promove o ar.

Manoel da padaria diz que o mar foi da gestão dele e se ele quiser, pode manda secar.

Antônio entra na briga, acusa de preconceito a atual gestão.

O coitado nem se dá conta de que ele próprio levanta a bandeira da segregação.

Uma coisa fica clara: sobre gestão do tempo ninguém tem competência.

Entram no ar para acusar uns aos outros, se desdobram em incoerência.

Não trazem suas propostas, não apresentam o que desejam fazer.

Perdem a chance de chegar ao coração do povo, de “se autopromover”.

Candidatos do meu estado mostrem ao povo uma história diferente.

Usem sua propaganda, que para nós foi imposta, de forma mais inteligente.

E não venha me dizer, Sr. José, que estas rimas foi você quem as escreveu.

Não banque o esperto comigo, pois bato o pé e tenho dito: este texto é meu!

Reflitamos…

Em todos os anos eleitorais, o enredo se repete… E ao final de tudo a gente se pergunta: para quê? De que serve o meu voto, se ele é, no fim das contas, usurpado? De que adianta a vontade do povo, se agoniza a democracia, a liberdade se prepara para a forca, corre a Justiça a deitar na guilhotina?

Entra por uma perna de pinto, sai por uma perna de pato… E isto nem é fake news… Quem dera fosse só um boato!

 

Por Ediane Souza

Em “Divagando”, Ediane Souza vaga por suas memórias e por memórias coletivas do recifense, do pernambucano. 

 

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