“Manifesto dançante. Cartografia afetiva da cidade”. É nesse sentido que tem desabrochado o projeto #danceacidade no Recife: refazer os percursos representativos do lugar em que se vive, através da dança, da beleza – e, também, da contundência – da arte.

Um grupo de artistas do Recife se juntou para colocar em prética, na capital pernambucana, o projeto criado pela dançarina paulista Ivy Moreira. Há cerca de um ano, ela utiliza sua conta no Instagram para postar vídeos em que dança em locais da “Paulicéia Desvairada”, sempre identificados com a hashtag #danceacidade.

Há quase três meses, Iara Campos, Íris Campos, Elis Costa, Filipe Marcena e Marcelo Sena começaram a fazer os vídeos “made in Recife”. “Conversamos com ela (Ivy), que queríamos desdobrar esse projeto aqui no Recife”, conta Iara, deixando claro que todos os vídeos creditam a autora do projeto.

“A ideia da gente é a de um percurso afetivo, é a sua relação com a cidade. Cada pessoa fala do seu lugar, de onde vive, por onde anda, habita. Eu, por exemplo, moro no Centro, a maioria dos meus percursos é pelo Centro da Cidade”, conta Iara. O vídeo com Iara dançando na ponte da Boa Vista já conta com mais de 18 mil visualizações.

Locais como Teatro Santa Isabel, Rua da Aurora, e os bairros de Boa Viagem, Pina e Várzea já serviram de cenário para o #danceacidade. A maioria dos vídeos, até então, tem sido no Centro do Recife. “No Centro é onde acontece muita coisa. A gente ainda tem um mapeamento muito profundo para fazer do Centro ainda”, diz Iara.

A paulista Ivy Moreira é a criadora do projeto #danceacidade (Foto: Reprodução/Instagram)

Não há um Instagram específico para o projeto. A ideia é que qualquer pessoa possa fazer seu próprio vídeo, sempre identificando-o com a hashtag #danceacidade. “As pessoas procuram a gente pra saber se pode fazer um vídeo, como faz. A gente sempre deixou claro: O pertencimento é de quem queira fazer”.

Mas não é só de beleza que vive o #danceacidade. Temáticas de cunho social, político também podem aparecer nos vídeos. “O projeto também está ligado a um percurso de protesto. Se a gente está inquieto e quer falar de alguma coisa, a gente faz também”, ressalta Iara.