É difícil passar por uma rua em Setúbal e não dar de cara com uma banquinha de frutas e verduras. Pode ser da mais simples à mais sofisticada. Sob um sol de rachar, ou na sombra de um toldo. Não importa. O que os feirantes garantem é que o diferencial está no atendimento e na qualidade do produto que vendem. Satisfação pra quem compra e pra quem vende.

Porque, apesar do aumento na concorrência, os feirantes afirmam: “O sol brilha pra todos”. Pra todos que trabalham e que acordam cedo! E é cedo mesmo, viu? No caso de Seu José Antônio Gonçalves, todas as sextas-feiras e sábados, ele acorda à meia-noite pra iniciar os trabalhos. Vai pra Ceasa e, de lá, descarrega sua Belina já meio capenga, mas cheia de frutas e verduras, na rua do Canal, a local da Jequitinhonha. Isso há mais de trinta anos. Como atualmente está aposentado, tira os outros dias pra descansar. Mas ele revela: “Foi daqui, e de várias outras feiras como as do Pina, Imbiribeira e Piedade que tirei o sustento da família durante todos esses anos”. Seu Zé, como é chamado pela freguesia, diz que seu banco de feira já foi bem maior, mas que hoje continua muito satisfeito com sua atividade.

Seu José vende frutas e verduras há mais de três décadas na Rua do Canal.

Satisfeito também está Seu Eron Andrade, que decidiu montar um banco de feira há apenas dez dias. Ele era office boy e foi demitido. Agora, decidiu abrir seu próprio negócio, que está dando super certo. “Não pretendo voltar mais nunca a ser empregado. Sempre tive tino pro comércio, e agora sou eu quem regulo meus horários de trabalho”. É, Seu Eron, essa liberdade que um autônomo tem é realmente de fazer inveja! Ele trabalha das 6h às 14h, todos os dias de sexta a sábado, e diz que, pelo que já vendeu nessa primeira temporada, deve receber mais do que quando era empregado.

Seu Eron resolveu empreender depois que foi demitido.

Outro que faça chuva, faça sol, está na Rua Setúbal todos os dias no raiar do sol é Seu João Francisco da Silva, conhecido carinhosamente como João da Banca. Nesse mesmo lugarzinho já vai fazer 14 anos e também não pretende sair nem tão cedo. Começou com um carrinho pequeno que lembra: “não sei nem como cabia tudo ali”, e hoje tem uma caminhonete, conquistada com muito suor, da venda de frutas e verduras.

João da Banca tem registro de empreendedor individual.

Ivan Nunes, aposentado, lembra de quando João da Banca chegou na Rua Setúbal. Acanhado e de forma bem rasteira. De lá pra cá, sempre que falta alguma coisa em casa, é nessa banquinha que ele pede ajuda. Hoje, João da Banca é um empreendedor individual, e emprega sua mulher e o filho. Com a aproximação de outras banquinhas e surgimento de padarias e mercadinhos, ele também diversificou os produtos e incluiu a venda de água mineral, que é de onde atualmente tira a maior receita.

Maria Aparecida Silveira atende aos pedidos da patroa. Ela faz as compras de mês pra patroa num mercado do bairro. Mas as frutas e verduras, compra em João toda semana, para garantir refeições sempre fresquinhas. E com João da Banca, ela ainda ganha como complemento um atendimento de primeira e a entrega na porta de casa. Outro diferencial que segundo João conquista muitos clientes: o atendimento por telefone mesmo.

Serviço:

José Antônio Gonçalves – rua do Canal, a local da Jequitinhonha, próximo à Rua Baltazar Passos
João da Banca – Rua Setúbal, próximo à Padaria Santo Cristo
Eron Andrade – Rua Professor Augusto Lins e Silva, próximo à Padaria Além do Pão