Está chegando o São João… é tempo de fogueira, é tempo de balão.
Vai ter pamonha, canjica, bolo de milho, xote, forró e baião.
A chuva sempre chega, de enxerida, costuma cair a noite inteira.
Ninguém a convida, mas ela insiste em se mostrar toda faceira.

Nesta época, os dias são mais frios, os casacos saem dos armários para agasalhar.
A cerveja gelada fica guardada, melhor uma taça de vinho para esquentar.
À noite tem festa, fogos, cantoria, um candeeiro que alumia, uma sanfona a tocar.
Tem gente bonita festejando, cabra de olho espichado, num cangote cheiroso a fungar.

Sanfona, quentão e cheiro no cangote. Ô, São João!

Está chegando o São João… os festejos acontecem na cidade e no interior.
Tem folguedo, cantoria, tem água na bacia, adivinhação para encontrar um amor.
Em toda vitrola alguém relembra aquele que não mais habita entre nós.
Lá no céu ele mora, encantando os anjos com sua voz.
Há sempre uma homenagem a Luiz Gonzaga do Nascimento.
Que desde menino, rebento, viveu as agruras do sertão.
Mas foi longe, distribui graça, força e talento, virou nosso Rei do Baião.

O nordestino é bom de briga e não foge de uma peleja.
Que maior São João do mundo, o quê! Basta um terreiro que ele festeja!
Seja moço, velho, seja doutor, professor, motorista ou padeiro.
O povo dança, apronta a festança, acende fogos, solta balão.
Cheio de fé e alegria, com coragem, ousadia, para mostrar ao mundo inteiro.
A força do povo brasileiro, deste Nordeste-nação.

 

Por Ediane Souza

Em “Divagando”, Ediane Souza vaga por suas memórias e por memórias coletivas do recifense, do pernambucano. 

 

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