Será que 100 anos é suficiente para juntar todas as partes de um quebra-cabeça? Dependendo da dimensão e quantidade das peças, este pode ser um prazo considerado até razoável.

Mais de um século foi tempo percorrido para que a Igreja Matriz da Boa Vista, localizada no Centro do Recife, tivesse seus enormes blocos de pedra encaixados.

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A montagem teve início após o Rei de Portugal doar o terreno entre a antiga Rua do Hospício dos Padres Esmoleres de Jerusalém (hoje apenas Rua do Hospício) e o Aterro da Boa Vista (atual Rua da Imperatriz).

Foto: Manuel Borges/Colaboração

Era 1784 e, a partir de então, 105 longos anos passariam para que cada parte do todo fosse totalmente encaixada, resultando na forma atual.

Esta semana o canal Coração da Cidade desmontou os fatos e os blocos para conhecer um pouco da história desse monumento que deu tanto trabalho e quebrou a cabeça dos responsáveis e fiéis para vê-lo concluído.

Contém peças importadas

A Irmandade do Santíssimo Sacramento da Boa Vista, responsável pela futura Matriz, já realizava atividades no Recife bem antes da construção da nova igreja.

E como tudo que era considerado sofisticado naquela época precisava ser proveniente da Europa, coube à Irmandade importar os blocos de pedras de Portugal. A matéria escolhida para confeccionar as peças foi o lioz, uma espécie de calcário muito utilizada na construção de templos, torres e castelos espalhados por Portugal e por seus antigos territórios.

Foto: Manuel Borges/Colaboração

Trazidas em navios para o Recife, as peças, já talhadas por artistas portugueses, eram montadas como uma espécie de Lego gigante na – ainda mais estreita à época – Rua do Hospício, contando com o esforço surreal de trabalhadores contratados e voluntários.

Segundo o historiador Flávio Guerra, além da grande dimensão das peças, a localização não ajudava devido ao estreitamento. Eram “blocos de pedra que eram precisos três ou quatro juntas de bois para tirá-los de bordo e levá-los até a Igreja”, relata.

Foto: Manuel Borges/Colaboração

Esforço que valeu a pena

Além da dificuldade de transporte dos blocos e da montagem da Igreja da Boa Vista, a falta de recursos financeiros foi um dos motivos do atraso da obra que se arrastou por mais de 100  anos. Mas, graças a um apoio financeiro aprovado pelos deputados da Assembleia Provincial de Pernambuco, os trabalhos foram retomados.

Foto: Manuel Borges/Colaboração

Entretanto, diante de tanta expectativa e atraso, a Irmandade decidiu, então, em 1874, abrir a igreja ao público, mesmo com etapas inacabadas.

Só mais tarde é que os serviços de pintura e ornamentação seriam providenciados, tendo o ano de 1889, finalmente, como sendo o da abertura oficial do local.

Foto: Manuel Borges/Colaboração

Visitar ou frequentar a Matriz da Boa Vista é poder contemplar suas paredes, colunas, portas, altares, vitrais, estátuas e painéis que, unindo-se ao longo dos tempos, nos deram este formato harmônico de grandes peças encaixadas e combinadas como conhecemos hoje.

Igreja Matriz da Boa Vista
Rua Imperatriz Teresa Cristina, s/n, Boa Vista, Recife – PE
Horário de missas e visitas:
Segunda a sexta: 7h e 18h
Quinta: 12h
Sábado: 18h
Domingo: 9h e 18h

Por Manuel Borges
Jornalista matuto que trocou o gosto da cana pelo cheiro do mangue. Adora passear por locais, histórias, cultura, picos/festas/bares, personalidades e humor sempre tendo o Centro, o coração da Cidade do Recife, como tema. Instagram: @manecoborges.

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