Pouca gente conhece Antônio Anailton pelo verdadeiro nome, mas quem costuma bater perna pelo Centro do Recife, ao menos uma vez, já notou seu colorido estabelecimento em uma das esquinas mais movimentadas do coração da cidade.

Aos 43 anos e conhecido por China, ele é o proprietário da Banca Roots e se apresenta como um típico trabalhador da região central que, no decorrer do tempo, acaba construindo uma relação afetiva e de referência com muitos clientes.

Localizada em um dos cruzamentos mais disputados da Boa Vista, a Banca Roots fica posicionada estrategicamente entra a Rua do Hospício e a Avenida Conde da Boa Vista, lugar de passagem de milhares de pessoas todos os dias. A banca existe há cerca de 20 anos, tempo suficiente para povoar o imaginário dos mais antigos e marcar presença no cotidiano de quem frequenta o Centro diariamente.

(foto: Manuel Borges)

De acordo com China, clientes fiéis percorrem até grandes distâncias para poder comprar na banca. Sobre o sucesso e a fidelização do cliente, ele comenta: “Talvez seja pela amizade que você faz com o freguês ou até mesmo pelos serviços que a gente tem aqui, como venda de passagens de ônibus, crédito para celular e muito adereço exclusivo de tabacaria com preço mais em conta”.

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Cultura reggae acima de tudo

China é um apaixonado por reggae music. Não à toa o nome de seu estabelecimento é Banca Roots e as cores verde, amarelo e vermelho, que representam essa cultura, não passam despercebidas. O termo roots, que, traduzido para o português, significa “raízes”, está relacionado à essência, origem. Atrelado ao reggae, roots remete ao estilo genuíno da música, embasado nas teorias religiosas do Rastafári.

A Banca Roots é local onde também se podem adquirir discos e livros de diversas bandas de reggae do cenário musical recifense. “Esse som você só encontra aqui em China”, comenta um cliente no momento da entrevista. Ele tem razão. China dá preferência à venda de álbuns de bandas do circuito reggae independente, assim como ingressos para shows e festivais do ritmo que acontecem no Recife e região.

(foto: Manuel Borges)

“As bandas não têm muita divulgação do trabalho, por isso os produtores e até mesmo os músicos vêm aqui na banca em busca desse apoio para vender CD e ingresso”, diz ele. O trabalho de divulgar esses artistas e bandas é feito de forma voluntária por China. “Não ganho nada. Faço porque amo o reggae e quero que todo mundo conheça o trabalho dessa galera”, completa.

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Sonhador e Empreendedor

Embora o estabelecimento permaneça no mesmo lugar há duas décadas e China tenha feito parte dessa história desde o começo, a Banca Roots nem sempre possuiu essa temática. É que China começou a trabalhar no local como atendente, e a banca era igual a tantas outras encontradas em cada esquina.

(foto: Manuel Borges)

Foi com sua força de vontade e visão empreendedora que passou de funcionário a dono e conseguiu adquirir o ponto, imprimindo seu estilo positive vibration. Hoje, ele também tem a Tabacaria Roots, localizada a poucos metros da banca, na Rua Sete de Setembro.

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Meio encabulado em se definir, China limita-se a dizer que é um cara que busca realizar seus sonhos através de seu trabalho. E se depender das idas e vindas das pessoas pelo local e dos clientes assíduos, a Banca Roots terá, no mínimo, mais 20 anos pela frente e China muita coisa ainda pra realizar.

O Ministério da Saúde adverte que o cigarro contém mais de 4.700 substâncias tóxicas e nicotina que causa dependência física ou psíquica. Não existem níveis seguros para consumo dessas substâncias.

Por Manuel Borges

Jornalista matuto que trocou o gosto da cana pelo cheiro do mangue. Adora passear por locais, histórias, cultura, picos/festas/bares, personalidades e humor sempre tendo o Centro, o coração da Cidade do Recife, como tema. Instagram: @manecoborges