Hoje, 19 de agosto, é celebrado o Dia Mundial da Fotografia. Em meio aos avanços tecnológicos e as mais diversas possibilidades de ser fazer uma foto – inclusive, com um smartphone -, ainda há no Recife uma trincheira de resistência da old school.

Em meio ao caos urbano do Centro do Recife, um discreto prédio de dois andares, na Praça Machado de Assis, é destino certo de muita gente na cidade: o Edifício Novo Recife, ou o popularmente conhecido Beco do Fotógrafo, no bairro da Boa Vista.

É lá, detrás do Cinema São Luiz, que existe um verdadeiro universo voltado à fotografia: são diversas lojas de equipamentos fotográficos, manutenção, revelação e artigos dos mais variados.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

O prédio, que data dos anos 1970, nem sempre teve a fotografia como “carro-chefe”. Nos seus primeiros anos, eram os bares e boates que reinavam no espaço.

O tal “beco”, na verdade, era um oitão do prédio, frequentado por interessados em fotografia, onde se vendiam e negociavam câmeras. “Era uma aglomeração danada. E aí, chegou algum gaiato que botou o nome de Beco do Fotógrafo”, diz Daniel Miranda, que há 39 anos trabalha com manutenção de equipamentos fotográficos, na sobreloja do prédio

Como todo apelido no Recife, o “Beco do Fotógrafo” pegou fácil. A alcunha acabou se estendendo a todo o prédio e se tornando o nome “oficial” do lugar. E tanto fora quanto dentro, a fotografia tomou conta.

Daniel Miranda, nos velhos tempos, quando já trabalhava no Beco do Fotógrafo (Foto: Reprodução)

O lugar é, até hoje, bem datado. As marcas do tempo permanecem. É como se o Edifício Novo Recife fosse uma fotografia analógica. “Já vi muita gente abrir e fechar lojas por aqui”, lembra Daniel.

“Eu vejo esse prédio hoje e fico pensando que aqui poderia ser tipo uma Galeria do Rock, como a de São Paulo”, diz Alexandre Albuquerque , que chegou ao Beco do Fotógrafo em 1998. Ele trabalha com edição de vídeo, edição de CDs e DVDs, telecinagem (conversão de VHS para DVD).

Alexandre elogia o potencial do prédio, mas reconhece que, de fato, o lugar poderia ser mais bem cuidado. Mas, quem trabalha por lá parece não se importar muito com isso. O cotidiano é o passo do tempo que corre por lá. O trabalho é a vida dessas pessoas e parece ser a sua única preocupação.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Em sua grande maioria, as lojas no Beco do Fotógrafo são antigas. Mas há algumas exceções, como o Escambo Fotográfico, que chegou por lá há cerca de dois anos. Vinícius Ramos é funcionário da loja e credita à tradição do lugar o fato de o Escambo abrir lá uma filial. “Aqui é um lugar muito conhecido. Se tornou um núcleo, uma região bem marcada por essa coisa da fotografia”, diz.

Mas não só de fotografia vive o Beco do Fotógrafo. Ainda hoje, existem por lá os bares, mas também lojas de carimbos, estúdios de tatuagem, restaurantes, costura, cabeleireiros.

Antônio Silva, 75 anos, tem um ótica no local. Mesmo “escondido” em meio a tantas lojas ligadas à fotografia, ele diz que o movimento do seu estabelecimento ainda é grande. “Até hoje vendo bem, porque as pessoas vem aqui por indicação, que já me conhecem”, conta.

É bem possível que tudo isso resista ao tempo, e daqui a 20 anos nós ainda encontremos o Beco do Fotógrafo lá, firme e forte, atravessando gerações.