Para quem é folião, o Carnaval começa no Sábado de Zé Pereira. Mas, para quem é pernambucano, a festa “real oficial” já dá seus pulos na sexta. Então, a gente começa a contar agora: faltam 100 dias para o Carnaval!? E nada melhor do que um “carnavalesco nato” para dar o pontapé inicial nesta contagem regressiva! ?

“Eu nasci no dia 23 de fevereiro de 1958. Ou seja: nasci no mês do Carnaval! Tá no DNA!”, diz Carlos de Melo Brasil, que respira carnaval e já aguarda 2018 com ansiedade. “A essa altura do campeonato, eu tô esperando esse Carnaval e já tô pensando no do outro ano”, fala.

Além da data de nascimento, a história de Carlos com o Carnaval começou em Casa Amarela, no Pátio da Feira. Lá, ele (que tinha por volta de 10 anos de idade), o irmão e a irmã eram craques em dançar frevo. Tanto, que ganharam um “Concurso de Passo”.

“A premiação era um corte de tecido das Casas José Araújo”, lembra Carlos. “Pedi a minha mãe para mandar fazer uma calça para mim. Foi a primeira calça da minha vida, que eu ganhei por causa do frevo”.

Do passo para a música

Entre um carnaval e outro da vida, Carlos acabou se tornando compositor, e os frevos, é óbvio, também tomavam conta de sua inspiração. E o que antes era hobby, acabou virando ofício de fé.

Em homenagem ao pai, falecido em 2010, Carlos compôs João do Louro, o único frevo de rua que fez na vida. “Fui solfejando e saiu a música. Daí, liguei para Spok, ele sugeriu gravar e quem escreveu passou para partitura foi Dadá Malheiros”.

João do Louro rendeu a Carlos o 1º lugar no Concurso Música do Carnaval de Pernambuco, em 2013. “Daí, comecei a levar a coisa a sério”. Tão a sério que Carlos emplacou o 1º lugar no concurso nos dois anos seguintes: em 2014, com Copa do Frevo; e em 2015, com A Voz do Frevo. Esses, frevos canção.

Em 2015, ele também ganhou o 3º lugar, em outra categoria, com A Noite dos Cabocolinhos. “Não ganhei mais porque não teve mais concurso, nem do Governo, nem da Prefeitura, nem nada”.

Carlos (camisa florida e chapéu) não abre mão do Carnaval (Foto: arquivo pessoal)

Folião

“Mas aí, meu velho, quando sai o compositor e entra o folião, o bicho pega!”, avisa ele sobre os dias em que não sossega um segundo sequer, com o frevo no pé. “Só durmo 3 horas por dia durante o Carnaval. O resto, é tudo na rua, brincando”.

Nem mesmo quando morou durante seis anos, no Rio de Janeiro, deixou a folia pernambucana de lado. “Todo ano eu vinha para Recife passar o Carnaval aqui. Nunca perdi um!”

Preparado para 2018, Carlos, assim como a gente, já conta os dias para a Folia de Momo. E celebra o dia a dia como quem sobe e desce as ladeiras, ao som do frevo, sem perder o pique. “Carnaval é pulsação! É vida!”. Que chegue logo!