Neste fim de semana, será apresentada a Paixão de Cristo do Recife. O espetáculo será encenado na sexta (30), sábado (31) e domingo (1º), às 20h, no Marco Zero. Sob a direção de José Pimentel, que, pela primeira vez, em 40 anos, não interpretará Jesus.

Paixão de Cristo do Recife acontece neste fim de semana

A história da Paixão de Cristo e de José Pimentel se confundem com a própria história do teatro do Recife. Por gerações a fio, a imagem de Jesus foi – e ainda é –  associada à de Pimentel. Já está no imaginário popular.

Mas, muito dessa história de mais de seis décadas é cheia de curiosidades que, talvez, grande parte do público não conheça ainda. O jornalista Cleodon Coelho, autor do livro José Pimentel – Para Além das Paixões, contou ao PorAqui algumas dessas passagens curiosas, que estão na publicação. E a gente vai te contar.

(Foto: JC Imagem)

1. Jesus Cristo malhado?

Pouca gente sabe, mas, muito antes de ser o Jesus que tanta gente ama até hoje, José Pimentel, quando jovem, foi halterofilista. Adorava exibir seus músculos. Foi, inclusive, vice Campeão Pernambucano de Melhor Físico Juvenil, em 1953. Neste mesmo concurso, ganhou o prêmio de “Melhor Perna”. ?

José Pimentel, jovem, nos tempos do halterofilismo (Foto: Reprodução)

2. Nem sempre Pimentel foi Jesus

Apesar de ter sua imagem e maior parte de sua trajetória ligada a Jesus Cristo, José Pimentel não começou na Paixão no papel principal do espetáculo. Devido ao porte físico, ele estreou, em 1956, em Fazenda Nova, como soldado romano. Era figurante.

O primeiro papel de José Pimentel foi como soldado romano (Foto: Reprodução)

Mas ainda faltava muito para ele ser Jesus. Em 1958, Pimentel foi o demônio na cena do Horto das Oliveiras; Em 1961, fez Pôncio Pilatos, seguindo no papel durante várias temporadas.

Pimentel só foi “promovido” a Jesus Cristo em 1978, quando a Paixão já era encenada na cidade-espetáculo de Nova Jerusalém. O papel, ele levaria consigo até o ano passado, na Paixão de Cristo do Recife.

3. Pilatos de Água Fria

No mesmo ano em que estreou como soldado romano em Fazenda Nova (1956), José Pimentel foi Pôncio Pilatos na montagem Drama da Paixão, do Grupo Dramático Paroquial de Água Fria, bairro onde morava quando jovem.

José Pimentel (dir) também foi Pôncio Pilatos, em encenação no bairro de Água Fria (Foto: Reprodução)

Os dois convites para Pimentel (Fazenda Nova e Água Fria), foram feitos por Octavio Catanho, o Tibi, seu amigo e sócio no Ginásio Poder Muscular. Tibi era muito bem relacionado com Luiz Mendonça e Clênio Wanderley, diretores do espetáculo de Fazenda Nova, e foi o responsável pelo “empurrãozinho” para Pimentel seguir no ofício que tem até hoje.

4. Cinderela na Paixão?

Em 1997, quando se viu com a responsabilidade de estrear, do zero, um novo espetáculo da Paixão de Cristo, a do Recife, no estádio do Arruda, José Pimentel contou com a solidariedade e o apoio de praticamente toda a classe teatral pernambucana.

E conseguiu um feito: reunir, no mesmo espetáculo, vertentes bem diferentes do teatro. Na primeira encenação da Paixão de Cristo do Recife, participaram nomes como Reinaldo de Oliveira e Renato Phaelante, do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), e integrantes da Trupe do Barulho, popularizada pela peça Cinderela: A História que Sua Mãe Não Contou.

5. Jesus com samba no pé

Com uma trajetória tão emblemática no teatro pernambucano, José Pimentel e a Paixão de Cristo foram enredo de escolas de samba locais. Em 1999, a Movidos a Álcool desfilou com o tema O Homem das Paixões, retratando a vida de Pimentel na Avenida Dantas Barreto.

Desfile da Escola de Samba Movidos a Álcool, em 1999 (Foto: Reprodução)

Em 2008, a Unidos de São Carlos trouxe o tema A Saga de José Pimentel, Patrimônio Vivo da Cultura Pernambucana, que também versava sobre a trajetória do ator e diretor não só como Jesus, mas também como nome à frente de outros espetáculos, como A Batalha dos Guararapes e O Calvário de Frei Caneca.

Neste ano, a escola foi campeã, saindo do Grupo de Acesso e seguindo para o Grupo Especial, no ano seguinte.

Pimentel também já foi lembrado pela Gigante do Samba, junto a outros nomes da cultural popular: Ariano Suassuna, Hermilo Borba Filho, Palhaço Chocolate, etc.