A pernambucana Isabella Puente tem 24 anos, é mestranda em História, poeta, dançarina e slammer. Sua poesia é carregada e traz impressa a bruta realidade cotidiana do que é ser mulher negra num país onde a cultura escravocrata é encontrada feito tinta fresca em parede recém pintada.

Em linguagem acessível, a poeta consegue encontrar equilíbrio perfeito em sua performance: é fúria e força e é também sutileza. Expressando anseios, angústias e percepções coletivas, fazendo de sua arte arma de luta: bela, forte e nunca submissa.

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“Contundente” foi a palavra que me veio à mente quando tive acesso ao trabalho de Bell Puã, como Isabella assina, da primeira vez que a vi, através de um vídeo do Youtube, em apresentação que a consagrou vencedora do SLAM BR 2017, o campeonato brasileiro de poesia falada que aconteceu em São Paulo. Sua vitória garantiu ainda uma vaga na disputa na Copa do Mundo de Poesia Falada, que aconteceu em Paris em julho deste ano.

Foto: Sergio Silva

Bell também faz parte do Slam das Minas PE, batalha de poesia falada exclusivamente protagonizada por mulheres, que, ocupando espaços públicos da cidade com arte e cultura, dão seu recado sem pedir licença ou baixar a voz. Historicamente silenciadas e invisibilizadas, no slam as minas têm  assegurado o direito ao necessário grito.

Mas como as revoluções do dia a dia são feitas com amor e pé na porta, a poeta revela também um viés afetuoso e, porque não dizer?, apaixonado no seu livro de estreia, É que dei o perdido na razão. Produzido pela Castanha Mecânica, a obra conta com o trabalho artesanal do poeta e editor Fred Caju, trazendo arte de Ianah Maia na capa e orelha da poeta Patricia Naia.

Foto: Fred Caju
Foto: Fred Caju

Com a alma despida, seus versos reúnem afetos e desejos do coração:

tua carne arde
e já sinto o sabor lunar dos atravessamentos
o tempero dos ventos de ontem
quilômetros de desejos

Ainda que seja doce, Bell não perde o caráter feroz: é amor com sangue nos olhos, é desejo com faca nos dentes, é o profano e também o divino embebidos entre a fúria da ressaca do mar e a  sutileza de um campo em flor.

Com ares de confissão e fluidez, É que dei o perdido na razão nos convida a um mergulho nos desatinos do amor possuindo caráter totalmente honesto, intimista e liberto, sem burocracia e sem forma predefinida como só um livro de poemas de amor poderia ser.

O lançamento será no próximo sábado (14),  às 19h, no espaço CEÇA, no Centro do Recife. Na noite acontecerá também o recital Marielle, presente!, com Amanda Timóteo, Bell Puã, Bione, Lilian Araújo, Mariana Ramos e Patrícia Naia.

Lançamento do livro É que dei o perdido na razão, de Bell Puã
CEÇA – Av. Manoel Borba, 339, Boa Vista, Recife – PE
14 de julho, às 19h
Valor do livro: R$15