Eles foram os primeiros funcionários dos correios pelo mundo e hoje ocupam o cargo de símbolo da paz. Enfeitando espaços públicos, estátuas e marquises, os pombos podem ser facilmente encontrados bicando o chão ou sobrevoando as cabeças de cada ser humano do Centro do Recife. ?

(Crédito: reprodução)

Parecem indefesos, mas estão sempre prontos para invadir janelas e deixar rastro com sua marquinha característica. Quem vive no centro sabe: todos os dias, batalhas são travadas pela disputa das calçadas, ruas e bancos de praças com os pombos.

Por isso, o canal Coração da Cidade, tomando por base as dores e experiências narradas por tantos populares, apresenta agora um guia de sobrevivência a um possível ataque de pombos na Boa Vista.

Então, protejam as cabeças e preparem-se para a guerra!

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1. Eles chegaram primeiro

(Crédito: @rodoxrasec/Rodolfo César)

Os pombos são nativos da Ásia Ocidental e vieram para o Brasil no tempo da colonização portuguesa, trazidos como fofinhos animais de estimação. ☺

As aves logo se adaptaram ao clima tropical, espalhando-se por todas as regiões do país e ocupando grandes e pequenas cidades. Conhecedores de cada cantinho de onde vivem, são capazes de se esconder em lugares de difícil acesso, onde geralmente se reproduzem várias vezes ao ano.

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Um dos maiores mistérios envolvendo as aves é o fato de ninguém conseguir encontrar um baby pombo por aí, embora sua população só faça aumentar. ? É que os filhotes passam 40 dias nos ninhos e quando saem são bem parecidos com um adulto.

2. Camuflagem não vai te salvar

(Crédito: @rodoxrasec/Rodolfo César)

Já percebeu que o pombo é capaz de encarar alguém? ?

Dotados do que há de mais moderno em identificação facial, os pombos conseguem lembrar o rosto de quem os alimentam e daqueles que os maltratam.

O fato foi comprovado por cientistas da Universidade Paris Nanterre, em 2011, ao realizarem experiência com dois voluntários parecidos fisicamente e sempre vestindo as mesmas roupas.

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Um deles era encarregado de alimentar os pombos, enquanto o outro espantava-os. Quando os cientistas tentaram confundir as aves, invertendo as roupas dos voluntários, veio a constatação. Os pombos sabiam diferenciar, mesmo com as roupas trocadas, quem dava comida do outro e que afugentava. ?

3. Armas biológicas

(Crédito: @rodoxrasec/Rodolfo César)

Podem parecer bichinhos indefesos, mas, de acordo com o Ministério da Saúde, os pombos transmitem dezenas de doenças, principalmente provocadas por fungos e bactérias. Entre elas a salmonelose, provocada por ingestão de alimentos contaminados com resto de fezes, a ornitose, que se dá pelo contato com a ave, e até meningite. ?

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Algumas medidas de segurança podem e devem ser adotadas diante do iminente ataque: retirar ninhos e ovos quando avistados, usar máscaras e luvas durante a limpeza de varandas e calhas, usar telas de proteção e, principalmente, nunca alimentar as aves.

4. Bandeira branca, amor

(Crédito: @rodoxrasec/Rodolfo César)

A artilharia é pesada e o adversário possui a vantagem de voar. Sua arma é extremamente eficaz e, ao atingir os ombros dos distraídos, escorre de tal maneira que, se usando roupa branca, são obrigados a abortar a missão e voltar para casa. ?

Mesmo assim, essa é uma guerra que não vale a pena e todo mundo sai perdendo. A população de pombos tem papel determinado na manutenção da cadeia alimentar e tentar exterminá-la não fará de ninguém herói.

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A estratégia de especialistas para sobreviver a um ataque de pombos é evitar o contato.

Nada de alimentá-los, adotá-los ou muito menos matá-los. Então, só nos restar a rendição diante dessa batalha injusta e sem chance de vitória.

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E ao menor sinal de ataque, a estratégia mais sensata é fugir, pois, como disse o poeta, “já tem pomba com mira a laser, o tiro sai sempre fatal”. ?

Por Manuel Borges

Jornalista matuto que trocou o gosto da cana pelo cheiro do mangue. Adora passear por locais, histórias, cultura, picos/festas/bares, personalidades e humor sempre tendo o Centro, o coração da Cidade do Recife, como tema. Instagram: @manecoborges.

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