Espaços públicos do Recife foram alvo de diversas intervenções urbanas, realizadas nos últimos dias. Desde o último dia 6, o projeto Criaturas Urbanas reuniu artistas e não-artistas em quatro laboratórios experimentais de criação, para discutir formas de intervir artisticamente na cidade.

À frente do Criaturas Urbanas, as artistas Rosa Melo, Lia Letícia, Adah Lisboa e Luciana Padilha coordenaram as imersões em núcleos, divididos em quatro laboratórios: “Ambulante Interativo Engenho”; “Transmissões – aRtivismo. Narrar-se é Criar-se”; “Meditação Crítica ou 4UADRILHA ou Tá Môco?”; e “Barrocada: Quando é que a Casa Caiu?”

Nesta quarta (15), chega ao fim o processo que envolveu cerca de 100 pessoas nesse fazer coletivo artístico. A partir das 15h, saindo da Praça do Carmo, São José, um telão de led 4 x 2 metros fará um trajeto até Boa Viagem.

Durante o percurso, quem estiver online, via Facebook, poderá fazer uma transmissão ao vivo usando as hashtags #barrocada, #probleminha ou #criaturasurbanas e mandar seu recado, seja protesto, performance artística ou reflexão, que será transmitido no telão.

Um estúdio itinerante improvisado irá acompanhar o telão durante o trajeto, para que as pessoas pelo caminho também possam dar o seu recado. Mas atenção: não serão permitidas mensagens que incitem o ódio, machismo, misoginia, racismo, homofobia e transfobia.

O projeto

“Com o Criaturas Urbanas, nós queríamos enxergar em que pé estava a criação e o escoamento das artes visuais em nosso estado. No Recife, ao mesmo tempo que vemos uma estagnação por parte do poder púbico, percebemos o florescimento de diversos coletivos fazendo e atuando”, diz Lia Letícia. “Esse projeto foi gestado pensando nesse fortalecimento dos artistas e produtores que a gente enxergou, tendo a experimentação como papel principal de luta e de ativismo”, completa.

(Foto: Divulgação)

Artistas de diferentes gerações imergiram de cabeça nas ações e cambiaram experiências entre si, como Lourival Cuquinha, Ronald Duarte, Chico Ludermir, Maurício Castro, Maria Clara Araújo, Coletivo Carne, Tati Diniz, entre outros, junto aos demais participantes que foram selecionados por uma chamada pública.

Coletivos se tornaram parceiros nessa empreitada. Alguns se tornaram “QGs” de desenvolvimento dos laboratórios; outros, locais de acontecimentos das intervenções – Conjunto 301, Casa Marte, o GTP+, Casarão das Artes Pilar, SIS/Rádio Aconchego, Coletivo Escambo e o Ponto de Cultura Coco de Umbigada.

Algumas atividades

Entre as intervenções realizadas, estão o desenvolvimento de um aparelho sonoro que captou os sons ambientes na comunidade do Pilar, no Bairro do Recife. O protótipo foi desenvolvimento por crianças que participaram do laboratório no Casarão das Artes, com orientação de Yuri Bruscky.

Na Quadra do Mangueirão, em Paulista, um mutirão formados por moradores, junto ao coletivo Escambo, implantou ciclofrescas (ciclovias traçadas considerando as áreas sombreadas por árvores), plantou mudas, fez grafitagem e outras atividades para mudar a cara do lugar.

No centro da cidade, o “Rolêzinho da Boa Bixa” saiu andando por uma das avenidas mais populares do Centro, dando a maior pinta, com o intuito de quebrar os paradigmas e visões preconceituosas da cidadania que existe ao exercer o simples direito de ir e vir.

Laboratórios desenvolvidos

Ambulante Interativo Engenho
Com os artistas Biarittzz, Fernando de Pádua, Ricardo Brazileiro e a Rádio Aconchego (Maria Magú e Gus Cabrera), o núcleo desenvolve propostas de intervenções coletivas a partir do contato com grupos que já atuam na cidade.

Transmissões – aRtivismo. Narrar-se é Criar-se.
Com os artistas Chico Ludermir, Maria Clara Araújo e Virgínia de Medeiros, o núcleo aborda a narrativa a partir das formas que o corpo permite – com a fala, com a dança, com o grito, com o choro, com os olhos e com o silêncio.

Meditação Crítica ou 4UADRILHA ou Tá Môco?
Com a curadora Ana Luisa Lima, o artista Maurício Castro e a jornalista Tati Diniz, o núcleo aborda processos contemporâneos de emissão de mensagens para gerar uma coleção de lambe-lambes.

Barrocada: Quando é que a Casa Caiu?
Com o Coletivo Carne (Iagor Peres e Jorge Kildery) e os artistas Lourival Cuquinha e Ronald Duarte, o núcleo apresenta um panorama de artistas e coletivos que desenvolvem projetos em espaços públicos, trazendo reflexões sobre as cidades e como vivemos nelas.

Ação Pilar
Com os artistas José Paulo, Ruth Steyer e Yuri Bruscky, e assistência de produção de Michel Gomes, o núcleo trabalha em parceria com o Casarão das Artes Pilar e as crianças da comunidade do Pilar em experimentos de investigação sonora.