Washington Carvalho (foto abaixo) percorreu o caminho de muitos profissionais de tecnologia pernambucanos: qualificou-se aqui no Recife e rumou para São Paulo, onde trabalha numa empresa de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). A história dele é igual a de tantos outros, não fosse um detalhe: Carvalho tem deficiência visual.

“Muitas empresas não estavam preparadas para me receber e, por isso, algumas vezes acabei omitindo minha deficiência para participar de processos seletivos. Quando não conseguia escapar das entrevistas pessoais, muitos não sabiam como lidar”, conta.

Neste fim de semana, ele estará de volta ao Recife para, nos dias 15 e 16 (sexta e sábado), compor o time de palestrantes do Encontro Nacional de Profissionais de TI com Deficiência Visual (ENTIDV), que será realizado no Apolo 235.

Apesar de o evento sugerir um recorte, ele reunirá não apenas profissionais com deficiências visuais, mas também pessoas com deficiências auditivas, motoras e intelectuais que estejam atuando ou que desejem trabalhar na área de TICs.

Programação

No primeiro dia do encontro, a programação tem como foco a gestão e os recursos humanos das empresas, com palestras e mesas redondas que tratam de temas como o processo de seleção inclusivo, a integração de PCDs nas empresas, além de relatos e experiências propositivas.

A palestra de abertura, “Qualificar para Incluir”, será ministrada por Virgínia Chalegre, da t-access, empresa promotora do ENTIDV junto com a Superactive e a AnnuitWalk.

“Temos um objetivo amplo com esse encontro: esperamos gerar a consciência nas empresas de que, a partir de um processo de seleção inclusivo, é possível contratar profissionais qualificados para trabalhar em qualquer função”, explica Virgínia.

A Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), a HumanizaRH e empresas que possuem políticas e práticas bem definidas, como a Superactive, AnnuitWalk e a ThoughtWorks, também participarão do evento.

A programação do segundo dia vai promover o encontro de pessoas com deficiência, sejam elas já absorvidas no mercado de trabalho ou interessadas em novas tecnologias, como Inteligência Artificial e Arduino – oficina que será ministrada por Washington Carvalho.

Outra palestrante confirmada é Manuela Torreão, que tem deficiência auditiva e também atua no setor de tecnologia. Ela vai apresentar sua experiência de desenvolvimento e teste de software e também conversar com o público sobre como trabalhar com pessoas surdas.

Manuela foi uma das participantes do curso inclusivo de Teste de Software, promovido pelo Porto Digital entre 2015 e 2016 (confira vídeo abaixo) e conta que não é fácil achar bons cursos de qualificação para pessoas com deficiências.

“Existem tecnologias que facilitam bastante para pessoa surda. Ela [a pessoa surda] se foca com pensamento visual e não verbal. Muitos dão a metodologia de ensino errada e aí a barreira fica grande”.

Apesar da ajuda da tecnologia e do caráter a princípio mais inclusivo e aberto das empresas de TICs,  Washington ainda ressalta as dificuldades de integração da pessoa com deficiência e não considera o mercado de trabalho acessível e preparado. “Já avançamos, mas ainda falta muito para que o setor se torne realmente acessível para todos”, conclui o engenheiro, que considera o ENTIDV fundamental para trazer musculatura ao debate.

Vale a pena reforçar que o evento é gratuito, que a presença das empresas e das gerências de recursos humanos são estratégicas e que para realizar as inscrições nos dois dias basta acessar www.entidv.com.br.