Boa Vista, Santo Amaro, São José, Santo Antônio… e também Bairro do Recife. Onde tudo começou, onde tudo se concentra, onde tudo acontece. A região central do Recife é um caldeirão fervilhando de gente, histórias, fatos, culturas. É onde todos os “Recifes” se cruzam, se encontram.

Em 2017, resolvemos contar um pouquinho disso tudo PorAqui. No dia 12 de julho, a gente colocou no ar a estação Recife Antigo/Centro. Um desafio, pois em cada esquina dessas ruas existe algo que carrega passado e novidade. Algo que foi, algo que está acontecendo.

Foram mais de 300 posts neste ano. De lá pra cá, alguns olhares e várias mãos ajudaram a gente a escrever um pouco desse Recife com “R” maiúsculo.

História: lugares de ontem e sempre

Quem acompanhou o PorAqui ficou sabendo um pouco mais sobre lugares que estão no imaginário do povo recifense.

Um sábado para curtir no Mercado da Boa Vista

Não poderia faltar o Mercado da Boa Vista. Pelas palavras de um frequentador assíduo, a gente entrou em pleno clima de um sabadão no local. Quem também esteve por lá foi o pessoal do Pelas Ruas, ouvindo comerciantes e gente que faz parte da história de lá.

A memória afetiva também fica no paladar. Lugares onde o sabor marcou gerações também passaram PorAqui: seja o almoço caseiro do Bar Royal ou aquele maltado esperto no Recife Antigo; seja a tradicional Pizzaria Imperatriz, na Boa Vista, e o famoso Chá Mate Brasília, no bairro de Santo Antônio; ou até o Cascatinha Lanches, na Boa Vista, e seu combo imbatível (cachorro quente + caldo de cana) no precinho.

Chá Mate Brasília: um amor à moda antiga no Centro do Recife

A gente também passou por outros lugares clássicos da história do Recife, como o Beco do Fotógrafo, uma resistência analógica em um mundo digital, e, também, a loja Vinil Alternativo: quem ainda compra discos aparece sempre por lá.

Beco do Fotógrafo: um retrato analógico do Recife

Acontecendo: lugares de hoje

PorAqui nós também conhecemos lugares que fazem acontecer o Centro do Recife mais recentemente, mas que já estão deixando marcada sua história para o futuro.

Lugares como o Ceça, espaço que congrega ações criativas e de cidadania em tempos de individualismo; ou como a Casa Cultural Villa Ritinha, casarão secular que hoje apresenta programação artística intensa somada ao atrativo de um café.

Villa Ritinha: história, arte e cultura num só lugar

Do passado ao futuro, conhecemos o Antiquário Bons Tempos, lugar que respira arte de outras épocas, e também falamos da loja dos aficionados pelo mundo geek, o Robot Rock, que traz diversos artigos relacionados a HQs, filmes e personagens fantásticos.

Robot Rock leva universo geek ao Centro do Recife

Assim como o Edifício Texas, que reúne bar, apresentações musicais, teatro e diversas outras atividades culturais, ou o Terra Café, que reabriu suas portas recentemente, vimos mais um respiro profundo de quem movimenta a agenda cultural da nossa cidade.

Terra Café reabre as portas em novo endereço

Também fomos até a Taberna do Vinil, loja dos mais diversos artigos relacionados à música, mas, como o próprio nome já diz, focada em uma especialidade: vinis.

Taberna do Vinil: verdadeiro reduto dos apaixonados por LPs

Guias e dicas

E por falar em vinis, no PorAqui a gente fez um roteiro informal de onde encontrar um universo de LPs de todos os gêneros imagináveis. Lugares escondidos no Centro do Recife: Dema do Vinil, Cláudio e Maurício os heróis anônimos dos colecionadores.

E não somente guia de vinis. A gente descolou algumas dicas bacanas para conhecer e “sobreviver” no Centro do Recife: passear uma tarde pela cidade gastando menos de R$ 50 reais foi uma delas.

Pequeno guia do Centro do Recife em uma tarde e com menos de R$ 50

Também mostramos como fazer um enxoval bacana para bebê economizando (e muito) comprando no vuco; ou onde encontrar “coisinhas” para usar e decorar sua casa de forma estilosa; e, até mesmo, achar feirinhas de orgânicos no Bairro do Recife.

Também desafiamos o recifense a mostrar o quanto ele sabe sobre sua cidade, com um quiz sobre as pontes do Recife. E indicamos sete museus no Bairro do Recife para visitar de graça.

Personagens

Teve gente que passou PorAqui em 2017 e contou sua história de vida. A lenda da tatuagem no Recife, o Mago Tattoo, há quase três décadas um dos profissionais mais requisitados da área, foi um desses personagens.

Nós conhecemos Bianca Close, flanelinha transsexual do Parque Treze de Maio, que precisa de ajuda para construir sua casa. A campanha #SaveBianca vem perseguindo esse intento, inclusive com uma vaquinha virtual, que receberá doações até março de 2018.

Close certo: bora ajudar Bianca a ter um lar?

Da mitologia nórdica para uma banca de revistas na Av Guararapes, Odin – ou Orlando – é figura reverenciada pelos fãs de HQs, que visitam com frequência a sua “Asgard”.

Mais recentemente quem marcou presença PorAqui foi a atriz colombiana Diana Giraldo, moradora há 2 anos e meio do bairro da Boa Vista, lançando seu olhar sobre a cidade, os recifenses, seus cenários e seus problemas.

O encantamento tropical de uma colombiana no Recife

Descaso

Problemas não faltaram no Recife este ano. O descaso do poder público com a cidade também foram assunto PorAqui, em 2017.

A luta da classe artística local pela reabertura do Teatro do Parque foi um dos assuntos mais comentados neste segundo semestre. E a gente acompanhou de perto: em agosto, aconteceu a Virada Cultural do Parque, com uma extensa programação reunindo diversas linguagens artísticas se mobilizando e erguendo a voz pedindo que o teatro reabra suas portas, fechadas desde 2010.

Vimos a Prefeitura do Recife derrubar uma das mais belas árvores da cidade: a fícus que existia no encontro entre a Rua da Aurora e a Av. Princesa Isabel.

PCR derruba árvore de uma das vistas mais bonitas do Recife

Assim como acompanhamos parte da história do Bairro do Recife ser soterrada com o boulevard inaugurado recentemente na avenida Rio Branco. A obra escondeu os trilhos de bonde seculares que existem no local.

Também falamos do abandono do Pátio de São Pedro, complexo cultural do Recife que se encontra totalmente esvaziado atualmente.

Pátio de São Pedro: do auge ao abandono

Quem faz

Enquanto isso, tem gente que faz do Recife um lugar melhor. Seja através da militância, da arte ou de alguma atividade que impulsione a ocupação da cidade de forma cidadã.

Conhecemos o Pangeia, espaço com foco nas artes visuais, mas de braços abertos a demais linguagens e interações artísticas. Assim como vimos surgir o Conjunto 301, espaço instalado no Edifício AIP, que visa a pensar, de forma artística, o embate entre o progresso e e as ruínas do Recife.

Conjunto 301: repensando memórias de um tempo em ruínas

Tem quem faz do cidade campo de batalha de rimas e improvisos. MCs, rappers do Recife se juntam na Batalha da Escadaria, fortalecendo o movimento hip hop independente.

Há quem ocupe as ruas da cidade, dando rolés noturnos sobre patins. É o APS Inline Os Afetados, que se reúne todas as quartas não só com o intuito de prática esportivas, mas para chamar a atenção sobre a ausência de espaço públicos voltado ao uso de patins.

E também tem quem faz do esporte para afirmar posicionamentos, ocupação de espaço público e lugar de fala. É o Aurora Futebol Clube, time formado exclusivamente por mulheres que se encontra todas as segundas para bater aquela pelada de lei.

Futebol feminino, ocupação do espaço público e resistência na Aurora

Pois é… isso tudo a gente viu PorAqui. Em 2018, vem mais!