A arte da costura no fazer com as mãos. O tempo, o cuidado e a devoção em criar uma roupa. Do encontro entre uma paulista e uma gaúcha, no Recife, nasceu a Gündê, marca de vestuário casual feminino que chega de mansinho na cidade, com sua primeira coleção, Duplicidade, inspirada nas ruas do Centro do Recife.

As sócias Olga Magnello (SP) e Luiza Mattos (RS) investem formação, talento, sensibilidade e prazer na criação de peças feitas manualmente, com tecidos naturais e de origem 100% nacional.

Espaço Somos: lugar plural e livre na Rua da Aurora

Rua das Águas Verdes (Foto: Rogério Alves)
Respeito, tempo, dedicação e maturação (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Gündê, no vocabulário indígena Nambikwára, significa algodão, que não é apenas o tecido escolhido por elas para criar as roupas. É, também, de um simbolismo essencial: o trançar dos delicados fios entre si dá origem a malhas firmes e resistentes.

“É também essa nossa história junta: a união. O fortalecimento das relações humanas”, diz Luiza, que reforça a importância da parceria entre as duas para surgir a marca.

O trabalho da Gündê conta com a concepção, desenho, modelagem e costura das peças por Olga e Luiza, que têm o auxílio de mais uma costureira. Não há produção em larga escala: o fazer é artesanal, de alfaiataria tradicional, com acabamento interno cuidadoso, o que leva um tempo próprio para fazer nascer as peças.

Algumas das ferramentas de trabalho (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

“A gente não queria trabalhar na indústria, com essa lógica da coisa superficial e da venda rápida. A gente queria pensar o produto”, diz Olga. “Você pode transformar o seu fazer. A gente descobre na costura um tempo próprio, um ritmo próprio. A velocidade não se dá da mesma maneira quando a gente tá produzindo”, completa Luiza.

Vindas de mundos diferentes, Olga (formada em Ciência Sociais) e Luiza (da área de Pedagogia) se conheceram em 2015, no curso Design de Moda, no Senac Recife. A identificação foi imediata. “Foi amor à primeira vista”, lembra Luiza.

(Foto: Fernanda Longman)

Desde o primeiro momento, elas começaram a esmiuçar o universo de coisas que aprendiam no Senac, adaptando para o que elas pretendiam com Moda: subverter a lógica do descartável. “A gente foi desmistificando esse mundo da moda, essa coisa meio estereotipada de ser algo superficial”, diz Olga. “Fomos trazendo para a coisa da produção e do trabalho artesanal”, complementa Luiza.

A Gündê – mesmo ainda sem ter esse nome – já era fecundada a partir de então. “A gente tinha nossos trabalhos, o curso, e o ‘terceiro turno’ era a gente se encontrando pra pensar criações”, lembra Olga. “A Gündê já começava a existir aí antes mesmo de ser lançada. Tudo foi feito e pensado com esse intuito, de criarmos a marca”, completa Luiza.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

O ateliê da Gündê fica em um dos edifícios da Rua da Aurora, no bairro de Santo Amaro. No apartamento que seria residencial, existe o coworking Onze Elefantes Ateliê Criativo. Lá, além de a Gündê dar vida à sua produção, também trabalham os tatuadores Eduardo Apolônio e Jota ZerOff.

Duplicidade

“As ruas do Recife variam muito de fisionomia, de cor, de cheiro. Parecem às vezes de cidades diferentes”, escreveu Gilberto Freyre em seu Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife, publicação que serviu de norte para Olga e Luiza darem vida à primeira coleção da Gündê, chamada Duplicidade, inspirada nas ruas do Centro do Recife.

(Foto: Rogério Alves)

Não somente o aspecto dual do Recife, onde coexistem tradição e modernidade, passado e presente, mas o ambiente cotidiano que elas viviam, foi inspiração para criar peças inspiradas nas ruas do centro da cidade. Rua da Glória, Rua das Águas Verdes, Rua da Alegria, Rua do Sol são algumas das peças que compõem a coleção.

“Não podia ser outra coisa: esse encontro entre a gente no Recife, os lugares que a gente frequentava e onde a gente mora… vamos traduzir isso nas peças”, diz Luiza.

(Foto: Ju Brainer)

Duplicidade teve uma pré-venda entre pessoas mais conhecidas. “Precisávamos nos lançar, mostrar isso para as pessoas, dar esse passo, o que foi bom pra gente”, destaca Olga.

O “pré-lançamento” de Duplicidade, entre as amigas da dupla, foi em março. “Vimos o que ficava legal em tipos de corpos diferentes e já começamos a estudar ajustes”, diz Olga. No final de abril, as peças passaram a ocupar a vitrine da Moinho Galeria, na Graças, e estão à venda. As peças custam de R$ 130 a R$ 280.

GÜNDÊ
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À venda na Moinho Galeria
Rua João Ramos, 50, Loja 7 – Graças
Segunda a sábado, das 10h às 19h