O Hotel Central, o lindo prédio que um dia foi símbolo de glamour da “sociedade recifense” e que em 2017 passou por restauração, caminha para os 90 anos de fôlego renovado.

Esteve com lotação esgotada no Carnaval e agora tem restaurante modesto, mas honesto, no térreo (com direito a cadeiras no terraço).

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E a expectativa de Dona Rosa Nascimento, que toca as panelas de onde saem arrumadinho, peixe ao coco e feijão caseiro, é ocupar os terraços do térreo com programação cultural.

Mas o Hotel Central, localizado na Avenida Manoel Borba, Boa Vista, reaparece no Antes que Suma porque desta vez conseguimos entrar no prédio de oito pisos, sessenta quartos e mais de 1.900 m de área construída.

Vista do Recife

Fomos à cobertura, onde quem ocupa a suíte principal tem acesso aos terraços que permitem uma das vistas mais incríveis do Recife.

Dali pode-se observar trechos da área central do Recife e avistar bairros mais afastados. Na Boa Vista, destacam-se os tetos dos casarões e sobrados – grande parte decadente – e igrejas.

De Santo Antônio, mais ao longe, rumo ao mar, é possível avistar edifícios antigos e “nesgas” do Atlântico. Mais à direita, observa-se Brasília Teimosa e o Pina com seus arranha-céus.

O terraço e seu piso xadrez, em vermelho e xadrez, é uma atração em si. O espaço é perfeito para “compor” fotos com o Recife ao fundo.

De dentro da suíte, pode-se conseguir efeito de “moldura” fotografando através das janelas que dão para o referido terraço.

Percorremos quartos, banheiros e seus azulejos de desenhos delicados, espaços de circulação, elevador, recepção, sala de estar.

Nesta, destacam-se portais e seus vitrais avermelhados, móveis de madeira nobre e enormes telas entalhadas. Tudo nos remete ao século XX, mais precisamente às décadas de 1960 e 1970.

Na recepção, um balcão de madeira e detalhes alcochoados/almofadados é registro do tempo da inauguração, em 1931.

Numa das salas da administração estão relíquias – eletrodomésticos, móveis, aparelhos telefônicos e até fantasias carnavalescas antigas – que serão agrupadas e catalogadas num espaço que funcionará como um memorial do hotel.

Ainda que não esteja preservado exatamente como foi construído – há alterações em revestimentos, pisos e banheiros – o Hotel Central que, externamente é uma “testemunha” da memória do Recife, reúne, no seu interior, elementos preciosos para a sua própria trajetória e para a documentação do modo de vida da cidade ao longo do século passado.

A solicitação de tombamento do prédio, aprovada por unanimidade pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) em novembro de 2017, é muito bem-vinda.

De suas andanças pelas ruas do Recife, o jornalista Josué Nogueira criou o site Antes que Suma: uma forma de documentar o patrimônio arquitetônico e afetivo da cidade. Parte do conteúdo do site também é disponibilizado PorAqui.

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