É no 3º andar do Edifício São Rafael, na Rua do Hospício, Centro do Recife, que agulhas e tintas se convertem em arte na pele de um sem fim de pessoas. É lá que o Mago Tattoo, a lenda viva da tatuagem no Recife, traça sua marca que já se espalhou pela cidade e também fora dela.

Henrique Aráujo Bezerra, 50 anos, é o nome por trás do Mago Tattoo. Há quase três décadas (que completará em maio de 2018) ele enveredou pelo universo da tatuagem. Na verdade, foi a extensão de um dom que já trazia desde pequeno: desenhar.

Quando decidiu ser tatuador, nos anos 1980, foi a São Paulo, a convite do irmão Jaymesson, que já atuava na área e lhe ensinou o ofício. O pai, militar, não apoiou a ideia. “Ele não queria deixar. Dizia que tatuagem era coisa de ladrão e maconheiro”, conta.

Mas Henrique não declinou e se tornou um dos pioneiros da tatuagem no Recife. Além dele e Jaymesson, mais dois irmãos também seguiram o mesmo caminho: Marquinhos e Daniel. O outro irmão, Jailson, optou pela carreira militar, é sargento da Aeronáutica.

Entre tintas e agulhas, o dia a dia fazendo arte na pele das pessoas (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

O apelido “mago” vem da época em que morava em Areias, na Zona Oeste. “Todo mundo mundo me chamava de ‘mago’ porque eu era bem magro mesmo”, conta.

De início, não foi a alcunha que pensou em usar como tatuador. “Eu ia assinar Tattoo’s King, que era a loja do meu irmão, mas aí ele disse pra eu usar um nome que tivesse a ver comigo, o ‘Mago’. Eu não imaginava que ia ter toda essa repercussão”.

De volta ao Recife, e com todo o material em mãos, montou seu primeiro ateliê, na Rua da Imperatriz, onde passou 16 anos. Depois, se mudou para o endereço onde hoje trabalha e já tem o nome consolidado.

De lá pra cá, Mago Tattoo se tornou sinônimo de tradição em tatuagem. Ao ser perguntado, ele não soube com exatidão quantas pessoas já tatuou. Pensou, pensou e soltou: “Mais de 1 milhão”. Em seguida, meio incerto: “rapaz, foi muita gente mesmo. Muita gente”.

Mago coleciona, até então, 17 prêmios em convenções de tatuagem, frutos da dedicação e do trabalho que vem fazendo ao longo dessas quase três décadas. “A tatuagem foi o que me deu a base, meu sustento, deu a estrutura da minha vida”.

Mago coleciona, até então, 17 prêmios em convenções de tatuagem Brasil afora (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

O filho do Mago, Henrique Júnior, 21 anos, já começa a seguir os passos do pai, e com seu apoio. “Se ele quiser, deixo aqui o estúdio pra ele e ele faz o que quiser”.

Ele diz que o preconceito com a tatuagem está cada vez mais raro, bem diferente de quando começou. “Antigamente, quando alguém tinha uma tatuagem, as pessoas já olhavam mal. Hoje em dia, todo mundo tem tatuagem”.

Mas, revela que a procura tem diminuído. E por um motivo:

“Tem muito riscador e pouco tatuador. Tatuador é um profissional. Riscador é o que faz qualquer coisa por um preço barato. A pessoa pede para fazer uma águia, quando vê, o cara fez um urubu”.

Curiosamente, contrariando o estereótipo do tatuador, Mago só possui uma tatuagem em seu corpo. E, ainda assim, escondida, nas costas. Um cavalo alado, feito em parceria pelos irmãos Jaymesson e Marquinhos. “Meus irmãos são todos cheios de tatuagem. Eu só quis fazer essa mesmo”.

E há quatro anos, Mago se tornou evangélico. Mas diz que isso não afeta em nada sua relação entre o profissional e os seus clientes. “São tantos os profissionais aí que são crentes e isso não influi de forma alguma no trabalho. Sou um profissional como outro qualquer. Eu faço a minha arte no povo, sem ideologia ou religião”.

Magoo Tattoo Tatuagens e Body Piercing
Rua do Hospício, 33, 3º andar – Boa Vista
Segunda a sexta, das 9h às 18h
Sábado, das 9h às 15h
Telefone: 3231-7911