Hello Sere………. errrm,
Vamo nessa né, direto ao papo:1 – Prévia? Nan, o Treloso é um festival de músicaO Treloso pode até juntar alguns elementos, mas não faz sentido classificar o evento que vai rolar (?) amanhã, lá em Aldeia, como uma prévia. E não há qualquer problema nisso. Vários palcos, nomes de relevância nacional, apresentações intercaladas com pontualidade, estrutura de alimentação, logísticas de gestão de lixo, translado de pontos estratégicos da cidade, tudo isso se assemelha a que?

Caso consiga minimamente se entender com os moradores de Aldeia que se incomodam com o evento anual, o Treloso já demonstrou que pode se inserir no nosso calendário musical, com um diferencial: a experimentação proporcionada pela Fazenda Bem-Te-Vi.

O “calcanhar de aquiles” do “festival” (notadamente o imbróglio entre moradores e questionamentos ambientais) é, também, o seu principal trunfo. O entardecer e entrar da noite daquele lugar, o céu estrelado e a distância do urbano, por si só, proporcionam uma experiência que outros eventos do mesmo porte não alcançam.

Fica a torcida para que as arestas sejam aparadas, que melhorias sejam aplicadas e o Treloso saia dessa fortalecido.

2 – Deus é Mulher, Elza Soares

Elza chega ao Guaiamum com o show A Voz e a Máquina, que preenche o hiato entre a turnê do A Mulher do Fim do Mundo e seu próximo álbum de inéditas, Deus é Mulher. Além da óbvia honra de poder ver Elza Soares ao vivo, vamos nos encontrar com uma Elza empolgada e engajada com os rumos artísticos que se abriram desde 2015, com A Mulher do Fim do Mundo.

Ela pode até dar uma fraquejada e nos desafiar cantando Computadores Fazem Arte ou Cálice dos Chico Science e Buarque, mas véi, é Elza, é garantia de porrada. Para sacar melhor a respeito desse novo trabalho, aqui ó.


3 – Noite estranha, geral sentindo junto com Letrux
Se Elza é momento de reverência e contemplação, Letrux propõe algo entre catarse e desbunde. O álbum da cantora, um dos grandes lançamentos de 2017, mescla o oitentismo, com ares cariocas de Marina Lima, com letras sobre amor e formas de amar que traduzem os labirintos afetivos dos nossos tempos. Flertes fatais na pista de dança, relações sexuais inesperadas que causam estragos permanentes, divã da solidão às cinco do mar ou qualquer coisa do banho de mar, puxados pelo carisma charmosamente desajeitado da cantora, fazem dessa noite de climão um dos shows “a ser visto” no cenário nacional.Resta torcer para o público ter pique e fôlego para aguentar até o final do festival. Mas vai valer a pena resistir. Bota na tua cabeça que isso aqui vai render!

4 – Checar se o Radiola NZ funciona ao vivo

O Radiola NZ tinha, a princípio, um grande potencial, mas não verteu-se num grande álbum porque ele confirma algo já sinalizado ao longo da carreira da Nação Zumbi: o lançamento do ano passado, junto com o projeto Los Sebosos Postiços, o meio-álbum que eles fizeram interpretando as músicas do Mundo Livre ou o Almaz, que já tinha seguido nessa ideia de lista de covers, aproveitando da voz de Seu Jorge, tudo isso soa muito parecido.O fato do disco ter um “volume 1” no título deixa a preocupação ainda maior: será que estamos diante de uma “Nouvelle Vague” recifense? Todas as versões criadas pela banda parecem seguir uma mesma cadência, uma mesma fórmula que se insinua uma pasteurização. Uma boa versão é aquela que dialoga entre os elementos de quem toca e de quem é tocado. Infelizmente a Nação parece apenas bater tudo, sem muito apuro nem apego, no mesmo liquidificador.Dito tudo isso: ainda assim, ainda que tenha um leve arzinho de truque, não há como esnobar os músicos da nação tocando Marvin Gaye, Tim Maia ou Erasmo. Se nos streamings essas versões podem não empolgar tanto, ao vivo a coisa é diferente. Certamente rolará redondo.

5 – Baco Exu do Blues, Francisco El Hombre, Metá Metá, Cidadão Instigado, bandas pernambucanas

Praticamente todo o resto de shows do Guaiamum é interessante: Cidadão Instigado vem com o show de celebração dos 20 anos de carreira. Fica a expectativa que eles voltem com mais protagonismo, porque o público do Recife merece uma apresentação mais focada dessa obra revisitada.

Baco Exu do Blues
Entra quase como uma cota nesse universo Trap, Rap Hip-Hop e grandes graves, mas é bom saber que essa pegada e sonoridade está reverberando com cada vez mais força nos festivais pernambucanos – foi assim no Molotov e o Rec Beat já dá sinais de que também transmitirá na mesma frequência.

Francisco El Hombre e Metá Metá
Shows com muita energia – seja pelo trato cênico e performático da Francisco, seja pela voz e assombrações instrumentais da Metá Metá.

RøKR

A banda mostra que não precisa explodir os graves pra fazer música nova e boa. Dreampop etéreo e bem costurado, um dos melhores arrebatamentos recentes da música pernambucana.

Marsa
De promessa com ar de novidade em 2017, a Marsa volta ao Guaiamum e atesta a evolução de público e de expectativa ao vir prum palco maior e com mais destaque.

Músicas de Sexta #69